quinta-feira, 9 de abril de 2026

YouTube: Username 666

O YouTube é um inesquecível pedaço de história. Lá por volta de 2006, as coisas não eram muito conhecidas, e tudo o que você veria na comunidade seriam vídeos de gatos. Mas um usuário em particular causou tanta controvérsia que conseguiu ser chamado a atenção. O canal postou tanto pornô gore e vídeos de fetiche com sangue, que seu usuário foi removido por brincar com os termos de serviço do site. Entretanto, ainda pode ser acessado.

Um dia desses, uma pessoa do YouTube postou sobre sua experiência com esse canal em um Blog já desativado.

"Eu trabalhei para o YouTube durante o ano de 2006. Eu era um funcionário ocupado, e recentemente postei vídeos lá. O que eu não sabia, é que alguns moderadores do YouTube baniram uma conta do site. Perguntei o que era, mas eles não queriam me contar.

Me perguntei mais o porquê de não ser autorizado a entrar na página, do que sobre o que ela era. Mas então, um dos moderadores me passou um pedaço de papel com algo escrito. Era um link. Ele me pediu para não perguntar nunca mais sobre essa conta secreta de novo. O link era de um usuário do YouTube. Estava escrito: "www.youtube.com/666". Fui para casa, depois do trabalho, e digitei o link no computador. Eu descobri que a conta foi suspensa, então não tinha problema.

Só que, quando eu atualizei a página várias vezes, algo mudou. Todos as marcações dos vídeos mudaram para os caracteres: "X 666". E todos os textos na tela mostravam "666". Pensei que alguém estava hackeando meu computador, mas descartei isso e atualizei de novo.

Nesse momento, um canal surgiu. Era o canal 666. Dei uma olhada em alguns vídeos, a maioria deles eram malucos. Um vídeo tinha quatro bebês torcendo suas cabeças. Outro mostrava gráficos distorcidos.

Eu decidi sair do vídeo e entrar em outro, mas uma janela vazia apareceu. Cliquei no botão em branco, que me levou para outro vídeo do 666.

O vídeo mostrava uma mulher se afogando numa piscina de sangue e coisas desagradáveis acontecendo. Eu achei isso repugnante, e decidi pausar o vídeo. Mas não consegui fazer isso, porque não estava respondendo. Eu decidi, então, fechar o Internet Explorer, mas não funcionava. Tentei, também, ir para outro vídeo, mas não deu certo. Eu achei que não tinha mais outra maneira, até eu perceber...

'O botão de desligar! É claro!'

Decidi desligar meu computador, assim o vírus não poderia acessar minha máquina de novo, mas o botão não funcionava. Os botões de desativar respondiam sempre! Eu sabia que tinha sido hackeado.

Não tinha mais esperança. Eu não conseguia sair do Explorer, e o vídeo só continuava a reproduzir. Nada poderia me parar. A garota no vídeo continuava a me encarar, olhando para mim com sons aleatórios e batidas sendo tocadas.

Foi aí que a mão da mulher do vídeo pulou da tela e crashou meu Internet Explorer.

Depois de alguns dias, eu fui recentemente demitido por ter ido pela horrível experiência com o canal 666. Foi isto que eu pensei sobre isso: 'Poderia isso ter sido feito pelo demônio? Foi uma brincadeira para assustar os usuários?' De qualquer forma, esse mito foi muito misterioso. Não consegui passar por uma noite depois de ver esses vídeos. Eu me pergunto quem os fizeram..."

O Blog foi desativado após 2 dias de criação. Quando alguém entra nele, uma mensagem aparece dizendo: "Removido pelo Administrador. Código de Erro 666." O proprietário do Blog me mandou sua experiência por e-mail, pedindo para eu postar sobre isso no meu site. Ele também deixou uma nota:

"NUNCA VÁ E NEM ATUALIZE A PÁGINA DO USUÁRIO 666. PORQUE QUANDO VOCÊ O FIZER, NUNCA VAI PARAR MAIS. NÃO VAI DAR PARA SAIR."

Espero que ninguém nunca tenha feito isso...



Slenderman: O Homem Esguio

Slender Man" traduzindo seria algo como "Homem esguio" Ele veste terno preto, é muito magro. É capaz de esticar seus membros e o próprio tronco para tamanhos desumanos, a fim de provocar MEDO, e também seduzir suas presas.


Com seus braços estendidos, suas vítimas ficam hipnotizadas e ficam totalmente impotentes. Ele também pode esticar seus dedos criando tentáculos. Ele nunca deixa rastro de suas vítimas. Não se sabe a origem dele. Ele gosta de raptar crianças, sempre é visto antes do desaparecimento de uma ou várias crianças. Gosta de lugares com névoas ou muitas árvores onde ele pode se esconder. Dizem que as crianças podem ver ele, se não tiver adultos no local. Parece uma lenda, mas muitas pessoas afirmam já terem visto o Homem Esguio. Os avistamentos normalmente acontecem a noite, perto de rios ou florestas. Tem relatos também dele ter entrado em quartos de crianças a noite, com janelas abertas. São comuns no Japão e na Noruega, mas vem crescendo os avistamentos em outros lugares do mundo... Ainda não acredita? Apareceram imagens deles em fotos tiradas de crianças desaparecidas no dia em que elas sumiram...


Curiosidade: As crianças costumam ter pesadelos com o homem esguio antes de seu desaparecimento.

Borrasca

É uma longa história, mas uma que você nunca ouviu antes. Esta história é sobre um lugar que fica na montanha; um lugar onde coisas ruins acontecem. E você pode achar que sabe tudo sobre essas coisas ruins, pode achar que já entendeu tudo, mas não entendeu. Porque a verdade é pior do que monstros ou homens.

No começo, fiquei chateada quando me disseram que íamos nos mudar para uma cidadezinha nos Montes Ozark. Lembro-me de ficar olhando para o meu prato de jantar enquanto ouvia minha irmã fazer um escândalo, impróprio para uma aluna exemplar de 14 anos. Ela chorou, implorou e depois xingou meus pais. Jogou uma tigela no meu pai e disse que a culpa era toda dele. Mamãe disse para a Whitney se acalmar, mas ela saiu furiosa, batendo todas as portas da casa no caminho para o quarto.

Eu também culpava meu pai secretamente. Eu também tinha ouvido os rumores: meu pai tinha feito algo errado, algo ruim, e o departamento do xerife o transferiu para algum condado remoto para salvar as aparências. Meus pais não queriam que eu soubesse disso, mas eu sabia.

Eu tinha nove anos, então não demorei muito para me acostumar com a ideia da mudança; era como uma aventura. Casa nova! Escola nova! Amigos novos! Whitney, é claro, sentia o oposto. Mudar para uma escola nova na idade dela é difícil, mas se afastar do namorado era ainda mais difícil. Enquanto nós arrumávamos nossas coisas e nos despedíamos, Whitney fazia beicinho, chorava e ameaçava fugir de casa. Mas um mês depois, quando chegamos à nossa nova casa em Drisking, Missouri, ela estava sentada ao meu lado, digitando mensagens furiosamente no celular.

Felizmente, nos mudamos durante o verão e eu tive meses de tempo livre para explorar a cidade. Quando papai começou seu novo emprego no gabinete do xerife, mamãe nos levou para passear pela cidade, comentando sobre tudo. A cidade era muito, muito menor que St. Louis, mas também muito mais agradável. Não havia áreas "ruins" e a cidade inteira parecia saída de um cartão-postal. Drisking foi construída em um vale montanhoso cercado por uma floresta exuberante, com trilhas para caminhadas e lagos de águas cristalinas. Eu tinha 9 anos, era verão e aquilo era o paraíso.

Tínhamos morado em Drisking havia apenas uma semana quando nossos vizinhos vieram se apresentar: o Sr. e a Sra. Landy e seu filho de 10 anos, Kyle. Enquanto nossos pais conversavam e bebiam mimosas, eu observava o filho magricelo e ruivo dos Landy parado na porta, olhando timidamente para o PS2 na sala de estar.

"Ei, você joga?", perguntei.

Ele deu de ombros. "Não muito."

"Quer jogar? Acabei de comprar Tekken 4."

"Hum..." Kyle olhou para a mãe, que acabara de receber sua terceira mimosa. "Sim. Claro."

E naquela tarde, com a facilidade e simplicidade da nossa idade, Kyle e eu nos tornamos melhores amigos. Passávamos as manhãs frescas de verão explorando os Montes Ozark e as tardes quentes na minha sala jogando PS2. Ele me apresentou à única outra criança da vizinhança da nossa idade: uma garota magra e quieta chamada Kimber Destaro. Ela era tímida, mas amigável e sempre topava qualquer coisa. Kimber nos acompanhava tão bem que logo se tornou a terceira roda do nosso triciclo.

Com meu pai trabalhando o tempo todo, minha mãe absorta em suas novas amizades e minha irmã trancada no quarto o dia inteiro, o verão era nosso para aproveitar, e aproveitamos muito. Kyle e Kimber me mostraram as melhores trilhas para caminhadas, os melhores lagos (e os mais acessíveis de bicicleta) e as melhores lojas da cidade. Quando chegou o primeiro dia de aula em setembro, eu sabia que estava em casa.

No último sábado antes do início das aulas, Kyle e Kimber me disseram que me levariam a um lugar especial, um lugar onde ainda não tínhamos ido: a Triple Tree.

"O que é uma 'Triple Tree'?", perguntei.

"É uma casa na árvore enorme e incrível no meio da floresta", disse Kyle, animado. “Ah, tanto faz, Kyle. Vamos lá, gente, se tivesse uma casa na árvore, vocês já teriam me mostrado.”

“Não, não teríamos”, Kyle balançou a cabeça. “Tem uma cerimônia para quem vai pela primeira vez e tudo mais.”

Kimber assentiu animadamente, seus cachos ruivos escuros balançando em seus ombros delicados. “É verdade, Sam. Se você entrar na casa da árvore sem a cerimônia adequada, você desaparece e morre.”

Meu rosto se fechou. Agora eu sabia que estavam tirando sarro de mim. “Isso é mentira! Vocês estão mentindo para mim!”

“Não estamos, não!” Kimber insistiu.

“Sim, nós vamos te mostrar! Só precisamos pegar uma faca para a cerimônia e já vamos.”

“O quê? Por que vocês precisam de uma faca? É uma cerimônia de sangue?” sussurrei.

“De jeito nenhum!” Kimber prometeu. “É só dizer algumas palavras e gravar seu nome na Árvore Tripla.”

“É, leva tipo um minuto.” Kyle concordou.

“E é uma casa na árvore muito legal?” perguntei.

“Ah, sim.” Kyle garantiu.

“Tá bom, acho que vou fazer então.”

Kyle insistiu em usar a mesma faca que usou em sua própria cerimônia, mas pagamos um preço por isso. A Sra. Landy estava em casa com seu filho caçula, Parker, e apesar das muitas objeções de Kyle, sua mãe insistiu que ele levasse seu irmão de seis anos.

“Mãe, vamos para a casa na árvore, é só para crianças mais velhas. O Parker não pode ir!”

“Não me importa se você vai fazer uma maratona de filmes do Exorcista, você vai levar seu irmão. Eu preciso de um tempo, Kyle, você não entende isso? E tenho certeza de que seus amigos não vão se importar.” Ela lançou um olhar desafiador para Kimber e para mim. “Certo?”

“Não, de jeito nenhum”, disse Kimber, e eu concordei com a cabeça.

Kyle deu um suspiro alto e dramático e chamou o irmão. “Parker, calce os sapatos, vamos embora agora!”

Eu já havia encontrado o caçula dos Landy algumas vezes e percebi que ele era tão diferente do irmão mais velho na aparência quanto no temperamento. Enquanto Kyle era um furacão de energia e entusiasmo, com um cabelo à altura, Parker era um garoto ansioso e inquieto, de olhos pequenos e cabelos castanho-escuros.

Subimos em nossas bicicletas e seguimos para uma trilha de caminhada menos conhecida, a alguns quilômetros de distância. Eu já havia perguntado para onde a trilha levava quando a cruzamos algumas semanas antes, e Kyle me deu a resposta decepcionante de "nenhum lugar interessante".

Chegamos ao início da trilha e encostamos nossas bicicletas na placa de madeira que dizia "Trilha West Rim Prescott Ore".

"Por que tantas trilhas por aqui se chamam Prescott?", perguntei. "É a Montanha Prescott ou algo assim?"

Kimber riu. "Não, bobinho, é por causa dos Prescott. Sabe, a família que mora na mansão lá em Fairmont. O Sr. Prescott e seu filho Jimmy são donos de metade dos comércios da cidade."

"Mais da metade", concordou Kyle.

"Quais? Ele é dono da GameStop?" A única loja em Drisking que realmente me importava.

"Não sei sobre essa", Kyle passou um cadeado em volta das quatro bicicletas, encaixou a trava e girou os números no disco. "Mas tem a loja de ferragens, a farmácia, a Gliton's na Segunda Rua e o jornal."

"Foram eles que fundaram esta cidade?", perguntei.

"Não, a mineração que fundou a cidade. Acho que eles..."

"Quero ir para casa." Parker estava tão quieto que eu tinha me esquecido completamente de que ele estava ali.

"Você não pode ir para casa", Kyle revirou os olhos. "Mamãe disse que eu tinha que te trazer. Vamos lá, é só uns três quilômetros de caminhada."

"Quero levar minha bicicleta", respondeu Parker.

"Que pena, vamos sair da trilha."

"Não quero ir. Vou ficar com as bicicletas."

"Não seja tão medroso."

"Não sou!" “Kyle, seja bonzinho!” Kimber sibilou. “Ele só tem 5 anos.”

“Eu tenho 6!” Parker protestou.

“Desculpe, 6. Você tem 6.” Kimber sorriu para ele.

“Tudo bem, ele pode segurar sua mão se quiser. Mas ele já vem.” Kyle se virou e começou a subir a trilha.

O rosto de Parker se fechou numa carranca pouco digna, mas quando a encantadora Kimber estendeu a mão e fez um gesto com os dedos para ele, ele a aceitou.

Kyle tinha razão, não era uma caminhada longa – apenas cerca de 800 metros pela trilha e mais 800 metros subindo a montanha por um caminho bem marcado. Era uma subida íngreme, e quando chegamos à casa na árvore, eu estava sem fôlego.

"O que você achou?", perguntou Kyle, animado.

"É..." Observei a árvore enquanto recuperava o fôlego. "É incrível", sorri. E era mesmo. Eles não tinham mentido, a casa na árvore era a maior que eu já tinha visto. Tinha vários cômodos e cortinas de verdade nas janelas. Uma placa acima da porta dizia "Forte Ambercot" e uma escada de corda pendia abaixo da soleira, faltando algumas tábuas.

"Eu subo primeiro!", gritou Parker, mas Kimber segurou seu braço.

"Você tem que fazer a cerimônia primeiro ou vai desaparecer." Ela o lembrou.

"Por mim, tudo bem", resmungou Kyle.

Eu estava ansiosa para entrar no forte.

"Me dá a faca." Estendi a mão. Kyle sorriu e tirou o canivete do bolso.

"Tem um espaço lá atrás para gravar seu nome."

Abri a faca e dei a volta na árvore procurando um lugar vazio. Havia tantos nomes na árvore que tive que me abaixar e procurar perto da base, já que não conseguia alcançar mais acima. Avistei as inscrições de Kyle e Kimber na árvore e finalmente encontrei um lugar que me agradou perto da de Kimber. Mordi a língua e gravei Sam W. em um pedaço de casca em branco, embaixo de alguém chamado Paul S. Parker. Ele tentou em seguida, mas teve tanta dificuldade com a faca que Kyle teve que fazer por ele.

"Certo, vamos lá", corri em direção à escada de corda.

"Espera!" gritou Kyle. "Você tem que dizer as palavras primeiro."

"Abri a faca e caminhei ao redor da árvore procurando por algo." “Ah, sim. Certo, quais são?”

Kimber cantou em voz alta: “Debaixo da Árvore Tripla há um homem que me espera, e, quer eu vá ou fique, meu destino é o mesmo de qualquer maneira.”

“Isso é… assustador”, eu disse. “O que significa?”

Kimber deu de ombros. “Ninguém mais sabe, é só tradição.”

“Certo, pode repetir mais uma vez, mais devagar?”

Assim que Parker e eu recitamos o poema, estávamos prontos para ir. Subi a escada de corda primeiro e observei o ambiente ao meu redor. A casa na árvore estava praticamente vazia, apenas um tapete sujo aqui e ali e um pouco de lixo: latas de refrigerante, latas de cerveja e embalagens de fast food.

Fui de cômodo em cômodo – quatro no total – e não encontrei nada de realmente interessante até o último. Um colchão velho estava jogado em um canto e pilhas de roupas mofadas e rasgadas estavam espalhadas pelo chão.

“Um mendigo morava aqui?”, perguntei.

“Não, este quarto está assim desde que me lembro”, disse Kyle da porta atrás de mim.

“Cheira muito mal”, respondi.

Kimber caminhou até a soleira da porta, mas se recusou a ir mais longe. “Não é o cheiro que me assusta, é isso.” Ela apontou para o teto e eu levantei os olhos para ler o que estava escrito lá.

Estrada para os Portões do Inferno, Marco 1

“O que significa?” perguntei.

“São só crianças mais velhas sendo idiotas”, disse Kyle. “Vamos, vou te mostrar a melhor parte da casa na árvore.”

Voltamos para o primeiro cômodo e Parker olhou para nós, sorrindo e apontando para o que ele havia esculpido desajeitadamente no chão de madeira.

“Pum”, leu Kyle. “Isso é hilário, Parker.” Ele revirou os olhos, mas seu irmãozinho não percebeu o sarcasmo e sorriu orgulhosamente.

Kimber sentou-se no chão ao lado de Parker e eu sentei do outro lado dele. Kyle pegou a faca do irmão, atravessou o cômodo e enfiou a lâmina entre duas tábuas da parede de madeira. Ele empurrou e a tábua cedeu, abrindo um pequeno compartimento secreto na parede. Kyle tirou algo de lá e empurrou a tábua de volta até que ficasse nivelada com as outras.

“Dá uma olhada.” Ele se virou e, orgulhoso, ergueu duas latas de cerveja Miller Lite.

"Nossa!" eu disse.

"Eca, cerveja quente? Que nojo. Como você sabia que estava aí?" perguntou Kimber.

"O Phil Saunders me contou."

"Vamos beber?" perguntei.

"Claro que vamos beber!"

Kyle se aproximou e sentou-se em nosso círculo, abriu a primeira lata de cerveja e ofereceu para Kimber. Ela olhou para a lata como se ele estivesse tentando lhe dar uma fralda suja.

"Vamos lá, Kimmy."

"Não me chame assim!" Ela gritou com ele e, então, relutantemente, pegou a lata aberta. Ela cheirou, fez uma careta, tapou o nariz e tomou um pequeno gole. Kimber estremeceu. "Isso foi ainda mais nojento do que eu imaginava."

"Eu não quero! Vou contar para a mamãe!" disse Parker rapidamente enquanto a lata de cerveja passava por mim.

“Ótimo, porque você não vai ganhar nada”, prometeu Kyle. “E você não vai contar nada para a mamãe.”

Fiz minha melhor cara de poker e tomei um longo e profundo gole da cerveja morna antes mesmo de sentir o cheiro. Foi uma péssima decisão e, quando vomitei, o líquido amarelo e fedorento espirrou por toda a minha camisa.

“Puxa, agora vou ficar cheirando a cerveja.”

Passamos a próxima hora e meia bebendo as duas latas de Miller Lite e, depois de um tempo, o gosto ficou mais tolerável. Eu não conseguia dizer se estava me tornando um homem ou se estava ficando bêbado de verdade. Esperava que fosse a primeira opção. Quando a última gota da última cerveja foi consumida, passamos 20 minutos tentando determinar se estávamos bêbados. Kyle nos garantiu que estava completamente fora de si, enquanto Kimber não tinha certeza. Eu achava que não estava, mas falhei em todos os nossos testes de embriaguez.

Kimber estava no meio de recitar o alfabeto de trás para frente quando um ruído metálico alto e estridente de repente perfurou o ar calmo da montanha como um tiro. Kimber parou de falar e passamos alguns minutos nos encarando, esperando o barulho acabar. Parker se aconchegou em Kimber e tapou os ouvidos com as mãos. Depois do que pareceram dez minutos inteiros, o som terminou tão repentinamente quanto começou.

"O que foi isso?", perguntei, e Parker murmurou algo no moletom de Kimber.

"Vocês sabem?", tentei novamente.

Kimber olhou para os pés enquanto os cruzava e descruzava.

"E então?"

“Não é nada”, respondeu Kyle finalmente. “Às vezes a gente ouve isso na cidade; não é nada demais. Só é mais alto aqui em cima.”

“Mas o que está fazendo esse barulho?”

“Borrasca”, sussurrou Kimber sem tirar os olhos dos pés.

“Quem é esse?”, perguntei.

“Não quem, onde”, respondeu Kyle. “É um lugar.”

“Outra cidade?”

“Não, é só um lugar na floresta.”

“Ah.”

“Coisas ruins acontecem lá”, disse Kimber mais para si mesma do que para mim.

“Tipo o quê?”

“Coisas ruins”, repetiu Kimber.

“É, nunca tente encontrar, cara”, disse Kyle atrás de mim. “Ou coisas ruins vão acontecer com você também.”

“Mas tipo, que coisas ruins?”, perguntei, virando-me. Kyle deu de ombros e Kimber se levantou e caminhou até a escada de corda.

“É melhor irmos. Preciso voltar para casa e ver minha mãe”, disse ela.

Descemos a escada um por um e começamos a caminhada de volta para o início da trilha em um silêncio incomum. Eu estava morrendo de curiosidade sobre Borrasca, mas não conseguia decidir se deveria perguntar algo e o que perguntar.

“Então, quem mora lá?”

“Onde?” perguntou Kyle.

“Em Borrasca.”

“Os Homens Esfolados”, respondeu Parker.

“Pff”, riu Kyle. “Só crianças acreditam nisso.”

“Tipo homens que são esfolados? Como se a pele deles tivesse sumido?” perguntei animada.

“É, é o que algumas crianças dizem. Mas a maioria de nós para de acreditar nisso quando chega aos dois dígitos”, disse Kyle.

Olhei para trás e vi Kimber, que ainda tinha nove anos como eu, mas estava olhando fixamente para a trilha, nos ignorando. A conversa pareceu terminar aí, e quando chegamos às nossas bicicletas, o constrangimento já tinha passado e estávamos rindo, tentando decidir se estávamos bêbados demais para pedalar até em casa.

As aulas começaram dois dias depois e eu já tinha me esquecido completamente de Borrasca. Quando meu pai parou o carro para me deixar na escola naquela manhã, ele trancou as portas antes que eu pudesse sair.

"Calma aí", ele riu. "Como seu pai, tenho o privilégio de te dar um abraço e te desejar um bom primeiro dia de aula."

"Mas pai, eu preciso encontrar o Kyle perto da bandeira antes do primeiro sinal!"

"E você vai encontrar, mas me dá um abraço primeiro. Daqui a alguns anos você vai dirigir até a escola sozinho, me deixa ser seu pai enquanto eu ainda posso."

"Tá bom", eu disse, irritado, e me inclinei para dar um abraço rápido no meu pai.

“Obrigada. Agora vá encontrar seu amigo. Sua mãe estará esperando aqui para te buscar às 15h40.”

“Eu sei, pai. Por que eu não posso pegar o ônibus como a Whitney?”

“Quando você tiver 12 anos, poderá pegar o ônibus.” Ele sorriu e destrancou as portas. “Até lá, eu te levo de manhã. Se você acha que vai ficar mais legal, pode ir no banco de trás, atrás da cela.”

“Pai… não faça isso.” Abri a porta da viatura dele antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa e saí correndo enquanto ele ria atrás de mim.

Kyle já estava me esperando perto do mastro da bandeira e também tinha encontrado Kimber. “Cara, você quase perdeu o sinal!” Ele gritou quando me viu.

“Eu sei, desculpa.”

“Em que turma você está?” Kimber perguntou. Ela estava usando um suéter vermelho e uma calça legging com estampa de sapos. Seus cabelos cacheados e alaranjados estavam penteados em cachos e seus lábios eram rosados e brilhantes. Ela nunca estivera tão bonita e fiquei surpreso ao perceber que nunca tinha visto Kimber como uma menina.

"Ah, a do Sr. Diamond."

"Eu também!" Ela disse alegremente.

"Que sorte", Kyle debochou. "Eu estudo com a Sra. Tverdy. Só tem duas professoras do quarto ano e eu fico com a pior."

Kimber fez uma careta. "É, minha mãe teve aula com ela quando era criança."

"O que tem de errado com ela? O que ela disse?"

"Só que ela é rigorosa e passa tarefa de casa nos fins de semana."

"Nos fins de semana? Droga!"

"Com licença, Sr. Landy?" Reconheci imediatamente o homem alto que aparecera de repente atrás de Kyle, que estava pálido.

"Desculpe, senhor. Eu quis dizer 'droga'."

Kimber deu uma risadinha.

“Tenho certeza que sim.” Ele assentiu.

“Olá, Xerife Clery.” Mesmo tendo o encontrado apenas algumas vezes, eu gostava do chefe do meu pai e ele gostava de mim.

“Olá, Sammy, está animado para o seu primeiro dia?” O Xerife Clery cruzou os braços e assumiu uma postura imponente, mas me deu um largo sorriso.

“Sim, senhor!” respondi. E então acrescentei, sem jeito: “O que o senhor está fazendo aqui?”

“Vou dar uma apresentação para os alunos do 5º e 6º ano sobre segurança no trajeto de ida e volta da escola.”

“É, ele dá essa palestra todo ano”, murmurou Kyle.

“Legal”, sorri.

O Xerife Clery acenou com a cabeça, virou-se e foi embora. Olhei em volta, confuso. “Onde está a Kimber?”

“Ela saiu correndo. Ela é irritantemente pontual para tudo.” E, como se para ilustrar seu ponto, o sinal tocou. Subimos as escadas correndo e entramos.

Entrei na sala e vi que Kimber tinha guardado um lugar para mim ao lado dela, no fundo. O Sr. Diamond, um homem baixo e rechonchudo de uns 40 anos, acenou com a cabeça quando entrei.

"Sr. Walker, presumo?"

“Hum, sim, sou eu.” Murmurei enquanto passava correndo por ele até a carteira ao lado da Kimber.

“Bem-vinda à Escola Primária Drisking. E para o resto de vocês, bem-vindos de volta. Vai, Grizzlies!”

A turma respondeu em coro com um relutante e contido “Vai, Grizzlies”.

Kimber me apresentou aos outros alunos da turma durante a manhã. A maioria era simpática, embora um tanto indiferente à minha presença. Eles me cumprimentavam, perguntavam de onde eu era e as conversas geralmente terminavam com um “tá bom” desinteressado.

Um grupo de meninas que sentava perto da frente da sala nos observava furtivamente a manhã toda e ria baixinho. Perguntei à Kimber quem eram elas e ela apenas deu de ombros. Durante o nosso segundo intervalo, elas vieram falar comigo.

“Você é amigo da Kimber Destaro?” Uma menina alta, de cabelos escuros, me perguntou.

“Sim”, respondi e olhei para Kimber. Ela me observava com olhos preocupados.

“Você é parente dela?”

“Não.”

“Eu imaginei, porque você não tem cabelo laranja.” Não sabia o que responder.

“Você não precisa ser amigo dela, sabia?”, disse a segunda garota, com o rosto estranhamente redondo.

“Eu quero ser amigo dela.”

Uma terceira garota, atrás das outras duas, bufou. Ela tinha um lindo cabelo castanho-avermelhado e um nariz arrebitado e grosseiro.

“Bom, se você for, vai entrar para o grupinho dos feios”, avisou a primeira garota. “E depois que você entra nesse grupinho, nunca mais sai.”

“Melhor do que o grupinho das patricinhas”, eu disse. A do Nariz Grosso e a do Rosto Redondo engasgaram, mas a do Cabelo Escuro sorriu.

“Veremos”, disse ela, e as três voltaram para o canto delas na sala. Sentei-me de novo ao lado da Kimber, me sentindo poderoso. Era a primeira vez que eu falava um palavrão na frente de alguém que não fosse o Kyle. “O que eles disseram para você?” perguntou Kimber, nervosa.

“Disseram que você é bonita demais para ficar perto deles e que você os faz parecer nojentos, então temos que ficar longe deles.”

“Mentira”, respondeu Kimber, mas eu percebi que ela estava sorrindo.

Encontramos Kyle no refeitório na hora do almoço e ele só tinha coisas ruins para dizer sobre a manhã. A Sra. Tverdy era velha e malvada e obrigava todos a virem falar sobre si mesmos, mesmo que a turma tivesse apenas 14 alunos e todos se conhecessem. Quando o sinal tocou para o recreio, fui jogar meu almoço fora com Kyle e esbarrei em um garoto que eu não tinha visto antes.

“Ei, você é o Sam Walker?” perguntou o garoto.

“Sim.”

“Ah. Sua irmã está namorando meu irmão.”

“Nossa!” Kyle riu. “Sua irmã está namorando um Whitiger!”

“Cala a boca, Kyle”, resmungou o garoto.

“Ela vai ser a Whitney Whitiger!”

Por mais engraçado que fosse, não pude deixar de ficar um pouco surpreso. Não que eu estivesse prestando atenção, mas só tinha visto a Whitney fora do quarto uma vez durante todo o verão.

"Hum, onde ela o conheceu?", perguntei ao garoto Whitiger.

"Sei lá. Provavelmente no trabalho dele."

"Trabalho dele onde?"

"Ele trabalha na Drisking Water."

Não fazia nenhum sentido para mim, mas deixei para lá. Lembrei-me da minha mãe dando algumas tarefas banais para a Whitney, como lavar o carro e instalar alguns serviços públicos, só para tirá-la de casa. Talvez ela o tivesse conhecido uma vez e eles tivessem começado a namorar por mensagem. Adolescentes são estranhos.

O resto da semana de aula transcorreu de forma muito parecida com a primeira. Já estávamos bem avançados no primeiro mês quando ouvi alguém mencionar os Homens Esfolados novamente. Estávamos no parquinho e eu e o Kyle estávamos tentando acender uma fogueira com duas lascas de madeira grandes. Eu tinha acabado de me machucar com uma farpa quando o som distante de metal rangendo inundou o parquinho, silenciando a todos nós.

"Borrasca", eu disse, admirado.

"É", disse Phil Saunders. "Os Homens Esfolados mataram de novo."

"Ei, o Kyle disse que só bebês acreditam em Homens Esfolados!" Lancei um olhar acusador para Kyle.

"Acreditam sim! O Phil é que é burro."

"Não sou! Pergunta para a Danielle, ela parece acreditar." Phil examinou o parquinho e gritou para uma garota loira que conversava com a Nariz Rude. "Ei, Danielle, vem cá!"

A garota loira revirou os olhos, mas veio saltitando mesmo assim. "O que você quer? Eu já te disse que a Kayla não gosta de você, Phillip."

"Não, conta para eles sobre os Homens Esfolados." Phil gesticulou para o ar ao nosso redor, que estava cheio do som metálico vindo da montanha.

"Conta você."

“Não, você os viu, então conte a eles.”

“Eu não os vi, a Paige os viu.”

“Ah.” Phil disse, e um silêncio constrangedor se instalou.

“Vocês são estranhos”, disse Danielle antes de jogar o cabelo na nossa cara e sair.

“Quem é Paige?” perguntei quando ela sumiu.

“A irmã dela”, disse Phil.

“A Paige desapareceu quando tínhamos uns 5 anos”, disse Kyle.

“Depois que ela viu os Homens Esfolados”, acrescentou Phil.

Os sons da montanha cessaram abruptamente, e a atmosfera tranquila do parquinho desapareceu com eles. Quando o sinal tocou, Kyle entrou na fila da sua turma e, como Phil era da minha turma, me certifiquei de ficar atrás dele. Os professores começaram a chamar os alunos.

“Ei, o que mais você sabe sobre Borrasca?” sussurrei para ele.

“Meu irmão disse que é para lá que as pessoas vão quando desaparecem. Para Borrasca.”

“O que acontece com elas lá?”

"Coisas ruins", disse ele, e depois me mandou calar a boca quando perguntei o que isso significava.

O ano se arrastou e só durante as férias de Natal ouvi a máquina em Borrasca novamente. Era dezembro e havia uma espessa camada de neve no chão, o que só servia para amplificar o barulho da montanha. Fiquei sentado no meu quarto ouvindo por alguns minutos, tentando entender o que estava acontecendo naquele lugar onde coisas ruins acontecem. Vi a viatura do meu pai chegar pela janela e desci para cumprimentá-lo. Ao passar pela porta do quarto da minha irmã, ouvi-a rindo daquele jeito irritante de adolescente e me arrepiei. Eu esperava que Kimber nunca ficasse assim.

"Pai!" Dei uma derrapada na ponta da escada bem na hora em que ele abriu a porta. Meu pai bateu a neve das botas e abriu os braços.

"Sammy! Quantos anos se passaram?" Ele brincou.

Era verdade que eu não tinha visto muito meu pai ultimamente, já que ele estava trabalhando demais. Fazendo o quê, eu não sabia, já que esta era a cidade mais silenciosa e tediosa do mundo. Mamãe achava que o xerife estava preparando papai para o cargo, já que Clery era tão velho e papai nunca concordava nem discordava dela. Afinal, ele só estava no departamento havia sete meses e duvidava que as pessoas do condado votassem nele.

"Ei, pai, você está ouvindo isso? Esse barulho de máquina?"

"Sim! Ouço isso na cidade de vez em quando."

"Você sabe o que é?"

"Perguntei ao xerife e ele me disse que o barulho vem de uma propriedade particular lá nos Montes Ozark."

"A propriedade se chama Borrasca?", perguntei rapidamente.

"Não faço ideia. Borrasca? Onde você ouviu isso?"

Dei de ombros. "Crianças da minha escola."

"Bem, não é nada para se preocupar, Sammy, provavelmente só algum equipamento de extração de madeira."

"Mas o lugar se chama Borrasca? Você já ouviu esse nome antes?"

“Não, nunca ouvi falar disso.” Papai tirou as botas e o casaco, olhando para a cozinha. Percebi que estava perdendo a atenção dele.

“Você já ouviu falar dos Homens Esfolados?” perguntei rapidamente.

“Homens Esfolados? Meu Deus, Sam. Sua irmã está te contando essas histórias?”

“Não.” Mas ele não estava mais me ouvindo.

“Whitney!” Ele gritou escada acima.

“Não, pai, a Whitney nem fala comigo.” Repeti.

Ouvi uma porta ranger lá em cima e Whitney espiou por cima do corrimão, telefone na mão e uma expressão irritada no rosto.

“Você está tentando assustar seu irmão?” Papai perguntou, indignado.

“Pai, não.” Repeti.

Whitney me lançou um olhar de traição. “Ah, sério? Como se eu fosse perder meu tempo.”

“Você não está contando histórias sobre ‘Homens Esfolados’ para ele?”

“Não, pai, eu já disse que ouvi isso na escola”, eu disse.

Whitney fez um gesto como quem diz “viu?”.

“Muito bem, então vocês precisam começar a se dar bem. Vocês são família, pelo amor de Deus!” Whitney revirou os olhos e, quando meu pai entrou na cozinha, ela me mostrou a língua.

“Que maturidade, Whitney!”, gritei para ela, mas ela já tinha ido embora. “Vou contar para o papai sobre o seu namorado!”

O Natal chegou e passou surpreendentemente bem aqui em casa. Whitney e eu ganhamos tudo o que tínhamos pedido, o que foi uma novidade para nós. A cidade pode ser menor, mas os salários do papai estavam claramente melhores.

Usei meu novo casaco dos Rams no primeiro dia de volta às aulas depois das férias de Natal. Kyle ficou todo babando e Kimber exibiu o colar de pérolas azuis que a mãe dela tinha dado de presente. Kyle e eu fingimos interesse, mas não foi fácil. Kimber percebeu, mas pareceu feliz só por nos importarmos o suficiente para fingir.

Quando nos despedimos de Kyle pela manhã, Kimber foi empurrada de repente. Kyle a segurou antes que ela caísse e eu me virei furioso para ver a Garota de Cabelo Escuro – cujo nome eu descobri ser Phoebe Dranger – rindo e se afastando de nós com a Garota de Cara Redonda.

"Vocês são pessoas ruins que fazem escolhas ruins na vida!", gritou Kyle para elas. "Quando eu for chefe de vocês, um dia, vou obrigá-las a limpar banheiros!"

“É, e se o Kyle é seu chefe, você sabe que fez besteira!” acrescentei. Kyle e eu batemos as mãos e nos viramos para Kimber, mas ela não estava compartilhando da nossa vitória – estava tentando esconder as lágrimas no rosto.

“Não se preocupe com aquelas garotas, Kimber, ninguém gosta delas. As pessoas só são legais com elas porque são parentes dos Prescott.” Kyle tentou dar um tapinha desajeitado nas costas dela, mas Kimber se virou e correu na direção oposta.

“Eu odeio aquelas garotas. Tipo, eu odeio mesmo.” Eu disse.

“Eu sei, elas são umas vacas.” Kyle respondeu, murmurando a última palavra enquanto olhava por cima do ombro para ver se algum adulto estava por perto.

“Bom, é melhor eu ir para a aula e garantir que elas não tentem falar com ela de novo.”

“Vai ter uma assembleia hoje de manhã. Sem aula até depois do almoço.”

“Sério? Que ótimo! A gente tem que sentar perto da sala de aula?”

“Normalmente não, mas é melhor chegarmos logo para garantirmos lugares no fundo”, disse Kyle enquanto começávamos a caminhar.

“Qual é o objetivo da assembleia?”, perguntei.

“É o programa D.A.R.E. ou a apresentação da Sociedade de História.”

“O que é D.A.R.E.?”

“Sabe, D.A.R.E.? Tipo ‘não ouse usar drogas ou ficará de castigo até morrer’?”

“Ah. Espero que seja a apresentação de história, então.”

Encontramos Kimber já no auditório. Ela havia se recomposto e guardado lugares para nós dois no fundo da sala. Ela nos chamou com um gesto bem na hora em que a Sra. Tverdy, com sua postura séria e corpulenta, subiu ao palco.

“Olá, alunos do 4º ano. Esta manhã, temos uma apresentação especial para vocês da Sociedade de Preservação Histórica de Drisking. Se tiverem alguma dúvida durante a palestra, por favor, levantem a mão.”

“Como se isso fosse acontecer”, Kyle riu.

“Agora, gostaria de apresentar a vocês o Sr. Wyatt Dowding, a Sra. Kathryn Scanlon e, claro, o Sr. James Prescott.”

“O quê! Jimmy Prescott e não o pai dele? Que estranho!”, Kimber sussurrou.

“Cara, o Thomas Prescott faz essa apresentação todo ano há uns 20 anos”, disse Kyle. “É muito estranho mesmo.”

“Não é estranho”, sussurrou Mike Sutton atrás de nós. Ele se inclinou para a frente. “O Tom Prescott pirou há um ano. Ele também não fez a apresentação no ano passado, quando minha irmã estava aqui.”

“Não gosto do Jimmy Prescott”, Kimber balançou a cabeça. “Ele me dá arrepios. O pai dele é muito mais simpático, é como um avô.”

A apresentação foi lenta e entediante. O Sr. Dowding e a Sra. Scanlon falaram sobre os primeiros colonizadores da região: os Cherokee e a Trilha das Lágrimas. Falaram sobre a descoberta de uma grande jazida de minério nas montanhas por Alexander Drisking e sobre como ele e sua família se estabeleceram ali para minerar e refinar o ferro. Em seguida, James Prescott subiu ao palco para contar a história da jornada de sua família até a cidade e seu papel na revitalização de Drisking no final da década de 50.

A última parte foi a mais interessante de todas e achei Jimmy Prescott incrivelmente carismático e divertido. Eu estava tão entretida rindo de suas piadas e prestando atenção em cada palavra que, ao final da apresentação, percebi que tinha aprendido bastante. Tanto que fiquei interessado o suficiente para fazer uma pergunta, o que Kyle me alertou ser um suicídio social.

O Sr. Prescott examinou a sala e respondeu a mais algumas perguntas antes de finalmente chegar a mim, lá no fundo.

"Sim, você aí atrás."

"Hum, Sr. Prescott, por que as minas fecharam? Tipo, o que aconteceu?", perguntei.

"Muito boa pergunta, rapaz. Qual era mesmo o seu nome?"

"Ah... Sam Walker." “Ah, acho que encontrei seu pai outro dia no escritório do xerife. Bem-vindo a Drisking! Quanto às suas perguntas, a maioria das minas fechou em 1951, após um longo período de prejuízo: a montanha simplesmente ficou sem minério de ferro. As usinas e refinarias foram abandonadas e a cidade sofreu por anos. Os mineiros e suas famílias se mudaram, as lojas fecharam, as escolas fecharam e Drisking se tornou uma cidade fantasma.

Esse teria sido o fim se não fossem famílias teimosas como a minha, que se recusaram a ir embora. Nós nos recusamos a desistir da cidade e, depois de muitos e muitos anos de trabalho árduo, Drisking se tornou o pequeno refúgio pitoresco nos Ozarks que é hoje. Espero que isso responda à sua pergunta.”

Sentei-me novamente e Kyle balançou a cabeça para mim. “Cara…”

A assembleia sofreu mais quinze minutos de perguntas e respostas constrangedoras até que a Sra. Tverdy finalmente nos liberou. Fomos liberados para o refeitório para esperar as filas do almoço abrirem. Kyle, Kimber e eu nos sentamos em nosso canto de sempre. “Isso foi muuuito chato”, reclamou Kyle. “Quando é que eles vão perceber que ninguém se importa com a história de Drisking? Sério, eu dormi umas três vezes.”

Kimber me cutucou. “Parecia que o Sam se importava”, provocou ela.

“Eu só queria saber sobre as minas. Minas são assustadoras, só isso.”

“É, mas todas as nossas minas foram explodidas. Não dá mais para entrar nelas”, disse Kyle.

“Explodiram?”, perguntei.

Kimber assentiu. “Algumas crianças morreram depois de entrar nas minas, então a cidade fez umas ‘explosões controladas para implodir as cavernas’, pelo menos foi o que minha mãe disse. Mas eles erraram, e eu ouvi dizer que explodiram o lençol freático ou o envenenaram ou algo assim.”

“Como assim? Como você sabe disso?”, perguntou Kyle.

Kimber deu de ombros. "Ouvi meu pai falando sobre isso."

"Eles usaram C4 ou algo assim?"

"Acho que sim."

"Então, tipo, todos nós bebemos a água, então todos nós temos C4 no corpo e podemos explodir a qualquer minuto!" Kyle disse animado.

"Você acha que foi isso que aconteceu com todas as pessoas desaparecidas?" perguntei a ele. "Simplesmente sentar lá um dia e BOOM!"

"É, cara," Kyle segurou meus ombros. "E é daí que vêm os Homens Esfolados."

Fiz o sinal internacional de "mente explodida" e rimos histericamente.

"Vocês são uns bobos," Kimber revirou os olhos, mas depois riu quando Kyle caiu no chão fingindo que estava explodindo. Lembro-me de pensar naquele momento que eu era feliz ali em Drisking, Missouri, com essas duas pessoas. Mais feliz do que jamais fui em qualquer outro lugar.

Foi o último momento verdadeiramente feliz que tive. Menos de uma hora depois, o telefone do Sr. Diamond tocou e ele trocou algumas palavras em voz baixa com a pessoa do outro lado da linha, seus olhos alternando entre a minha mesa e a dele. Não foi surpresa, então, quando ele desligou e me pediu para ir até a recepção.

Quando cheguei lá, ele me disse que minha mãe estava me esperando no escritório e que eu iria para casa. Troquei um olhar confuso e preocupado com Kimber, arrumei minha mochila e fui para o escritório. Quando cheguei, minha mãe estava chorando.

Voltamos para casa em um silêncio tenso. Eu estava com muito medo de perguntar o que havia de errado. Mamãe estacionou o carro a um quarteirão de casa, que estava cercada por várias viaturas policiais. Como não obtive nenhuma explicação, quebrei o silêncio eu mesma.

"É o papai?", perguntei baixinho, segurando as lágrimas.

"Não, querida, o papai está bem", ela sussurrou.

"Então o que aconteceu?"

"A Whitney não chegou à escola hoje de manhã", sua voz embargou ao pronunciar o nome da minha irmã. “Ah, não, mãe, acho que ela matou aula!” Eu disse rapidamente. “Eu a vi sair hoje de manhã, bem cedinho, umas 6h, e ela estava com os amigos dela. Hum, o Pete Witiger e aquele garoto, o Taylor!”

“A gente sabe de tudo isso, Sam. Mas eles chegaram na escola e a Whitney não estava com eles. Disseram que ela queria passar no Circle K perto da Drisking High, então a deixaram lá. E ninguém a viu desde então.”

“Bem…” Meu cérebro lutava para encontrar uma explicação. “Talvez ela tenha matado aula.”

“Não, querido.” Minha mãe engatou a marcha e dirigiu até nossa casa, estacionando atrás de uma viatura policial. “A polícia, assim como seu pai, acha que a Whitney está com o Jay.”

“Mas ela tem um namorado novo aqui!”

“Encontramos todos os livros dela no chão do quarto hoje de manhã e metade das roupas dela sumiram, junto com um dinheiro do seu pai.”

“Mas…”

“No momento, acreditamos que ela pegou carona até St. Louis e que está com Jay. O gabinete do xerife está tentando entrar em contato com os pais do menino.”

Whitney? Fugir? Quem conhecia minha irmã sabia que ela era propensa a dramas e ameaças vazias. Além disso, ela estava namorando o irmão mais velho do Chris Witiger, o Pete. Eu tinha certeza disso.

Subimos os degraus e entramos em uma casa com cheiro de café velho e murmúrios baixos. Tentei me lembrar se a própria Whitney havia confirmado que estava namorando o Pete, mas não me veio à mente. Quando entramos na cozinha, vi meu pai sentado à mesa, olhando para os registros do celular, com a cabeça entre as mãos. Ele olhou para cima quando entrei na sala e me deu um sorriso fraco.

"E aí, filho."

"Pai, preciso te contar uma coisa."

Senti uma mão pesada no meu ombro e me virei para olhar para o xerife Clery, com um semblante sério.

"Tudo o que você souber, filho. Não importa o quão trivial você ache que seja."

Assenti com a cabeça e me sentei à mesa com meu pai enquanto minha mãe lhe entregava uma xícara de café.

“Aqui está, Xerife”, disse ela, fracamente.

“Por favor, Sra. Walker, me chame de Killian.”

Minha mãe assentiu e recuou para um canto escuro para conversar em voz baixa com Grace, a esposa do Xerife Clery.

“O que você sabe, Sam?”, perguntou meu pai, apoiando o queixo nas mãos em um gesto fingido de oração, como se eu pudesse livrá-lo de seu sofrimento.

“Bem, eu ouvi dizer que a Whitney tinha um namorado, aquele cara, Pete Witiger, com quem ela anda saindo, e eu os vi saindo com o Taylor Dranger hoje de manhã.”

“A que horas eles saíram?”, perguntou o Xerife.

“Não sei… por volta das 6.”

Ele assentiu. “Isso coincide com o que o Taylor Dranger e o garoto Witiger disseram.” Meu pai afundou a cabeça nas mãos e eu soube que o havia decepcionado. “Mas”, apressei-me a responder, “acho que ela não voltou para St. Louis porque estava namorando o Pete e não queria mais ficar com o namorado em casa.”

“Eu entendo, filho, mas a cabeça de uma adolescente é complicada. Meus policiais estão tentando entrar em contato com a família do namorado dele em St. Louis.” Clery acenou para meu pai. “Agora, por que você não sobe para o seu quarto e nos deixa trabalhar, Samuel?”

Olhei para ele surpreso. “O quê? Não, eu quero ficar aqui embaixo. Eu posso ajudar.”

“Não, filho, não há mais nada que você possa fazer aqui. Você tem sido um bom irmão, agora deixe-nos cuidar disso.”

“Mas eu posso ajudar!”

“Vocês já ajudaram.”

“Pai!” Olhei para meu pai com olhos suplicantes.

“Vá para o seu quarto, Sam”, disse ele baixinho depois de um momento. Hesitei.

“Pai…”

“Agora.”

Eu estava tão furioso que fiz a única coisa que podia para demonstrar minha raiva: subi as escadas pisando duro, bati a porta e me sentei na cama, incrédulo. As lágrimas vieram então, e fiquei ali deitado me sentindo impotente, inútil e com medo pela minha irmã.

Pensei em todos os lugares onde Whitney poderia estar. Ela estava com medo? Estava sozinha? Estava... morta? Quando o sol começou a se pôr, finalmente saí da cama e fui checar meu e-mail. Esperava várias mensagens de Kimber e Kyle, mas só havia uma.

Ela foi para a casa da árvore?

Fiquei encarando a tela do computador por quase um minuto, as palavras de Kimber do outono passado ecoando na minha cabeça.

"Se você entrar na casa da árvore sem a cerimônia adequada, você desaparecerá e depois morrerá."

Eu não acreditava que Whitney tivesse ido ao Circle K naquela manhã e, principalmente, não acreditava que ela tivesse pegado carona para fora da cidade. Nada do que eles estavam dizendo lá embaixo fazia sentido se você conhecesse minha irmã – mas talvez isso fizesse. Talvez ela e o namorado tivessem ido para a casa da árvore para se beijarem ou algo assim e talvez ele a tivesse deixado lá. Talvez ela tivesse se perdido ou talvez os Homens Esfolados a tivessem encontrado. Esse era o pior pensamento de todos.

Eu não precisava sair escondido, porque a polícia estava ocupada demais com meus pais para se importar comigo. Peguei minha bicicleta escondida na garagem e pedalei os cinco quilômetros até a trilha West Rim Prescott Ore. Quando cheguei lá, vi duas bicicletas já presas ao poste de sinalização e meus dois melhores amigos sentados na neve ao lado delas.

"Eu sabia que você viria", disse Kyle quando parei minha bicicleta e Kimber correu para me abraçar.

"Sinto muito, Sam."

Não havia nada que eu pudesse dizer e eles não insistiram. Kimber pegou meu braço e começamos a subir a trilha. O silêncio entre nós era longo, mas confortável. Caminhamos com dificuldade pela neve e, o tempo todo, eu procurava pegadas de outras pessoas, mas a neve caía rápido demais. A subida da montanha foi mais difícil e úmida do que quando viemos no outono, e quando o Forte Ambercot finalmente apareceu no horizonte, foi um alívio. O sol estava se pondo e não tínhamos trazido lanternas.

Caí enquanto corria em direção à árvore, chamando o nome da minha irmã para o silêncio da mata. Kyle estava logo atrás de mim e saltou impressionantemente para a escada de corda, subindo rapidamente pelas tábuas. Continuei chamando o nome de Whitney, esperando que Kyle gritasse que a tinha encontrado ou que havia pelo menos algum sinal dela.

E então ouvi Kimber dizer meu nome baixinho de onde estava, perto da Árvore Tripla. Corri até lá e tentei seguir seu olhar para confirmar o que eu já sabia que estava ali. E então encontrei, recém-esculpido perto do topo.

Whitney W.

Minha respiração congelou no peito e minha visão ficou turva com lágrimas indesejadas. E enquanto o sol dava seu último suspiro desesperado antes de mergulhar na profundidade do horizonte, um zumbido metálico ensurdecedor ecoou pela mata e desceu a encosta da montanha.

terça-feira, 7 de abril de 2026

suicidemouse.avi

Então, algum de vocês lembram daqueles desenhos do Mickey Mouse da década de 30? Os que foram apenas colocados em DVD há alguns anos atrás? Bem, eu ouvi que há um que era inédito até mesmo para os mais ávidos fãs dos clássicos da Disney.

De acordo com fontes não é nada especial. É apenas um loop contínuo (como Flinstones) de Mickey passando por seis edifícios que se prolonga por dois ou três minutos antes de desaparecer. Ao contrário das músicas bonitinhas colocadas, a canção neste desenho animado não era uma música em tudo, só uma batida constante em um piano de um minuto e meio antes de ir para o ruído branco para o restante do filme.

Não era o velho Mickey alegre que nós amamos tanto. Mickey não estava dançando, nem mesmo sorrindo, apenas uma espécie de andar como você ou eu andando, com uma expressão facial seria, mas por alguma razão a sua cabeça estava inclinada de um lado para o outro e ele manteve esse olhar sombrio.

Até um ano ou dois atrás, todos acreditavam que após o vídeo ficar preto ele ficou assim. Quando Leonard Maltin estava revendo o cartoon para ser colocado na série completa, ele decidiu que era muito lixo para estar no DVD, mas queria ter uma cópia digital devido ao fato de que era uma criação de Walt. Quando ele conseguiu uma versão digitalizada em seu computador, foi dar uma olhada e notou algo.

A charge tinha realmente 9 minutos e 4 segundos de duração. Isto é o que a minha fonte falou para mim, na íntegra (ele é um assistente pessoal de um dos altos executivos da Disney, e amigo do Sr. Maltin):

"Depois que ele cortou para o preto, ficou assim até o sexto minuto, antes de voltar para caminhada de Mickey. O som era diferente desta vez. Foi um murmúrio. Ele não era um idioma, mais como um grito. Como o barulho ficou mais indistinguível e alto sobre o minuto seguinte, a imagem começou a ficar estranha. A calçada começou a ir em direções que pareciam impossíveis com base na física de Mickeys em pé. E o rosto sombrio do rato foi lentamente se curvando em um sorriso .

No minuto 7, o murmúrio se transformou em um grito horripilante (o tipo de grito doloroso de ouvir) e a imagem foi ficando cada vez mais obscura. As cores que apareceram não seriam possíveis na época. O rosto de Mickey começou a desmoronar. Ele revirou os olhos na parte inferior do queixo como duas bolas de gude em um aquário, e seu sorriso era enrolado apontando para cima, no lado esquerdo de seu rosto.

Os edifícios viraram escombros flutuando no ar e a calçada ainda estava incrivelmente navegando em direções diferentes, impossíveis para seres humanos saberem a direção. Sr. Maltin ficou perturbado e saiu da sala, e enviou um funcionário para terminar de assistir o vídeo e tomar notas de tudo que acontece até o último segundo, e depois imediatamente guardar o disco do cartoon no cofre. O grito distorcido durou até 8 minutos e alguns segundos, e então de repente, corta para o rosto de Mickey Mouse nos créditos do final do vídeo com o que soou como uma caixa de música quebrada tocando no fundo.

Isto aconteceu por cerca de 30 segundos, e tudo o que estava nos outros 30 segundos não foi capaz de ser obtido nenhuma  informações. Um guarda de segurança que trabalhava debaixo de mim que estava fazendo rondas fora da sala, me disse que após o último quadro, o funcionário tropeçou fora da sala com a pele pálida dizendo que "o sofrimento real não é conhecido" 7 vezes antes de tomar rapidamente a pistola do guarda e se suicidou no local.

A única coisa que eu poderia dizer para Leonard Maltin foi que o último quadro era um pedaço de texto russo dizendo "a visão do inferno traz seus telespectadores para ele". Até onde eu sei, ninguém mais o viu, mas houve dezenas de tentativas de obter o arquivo no Rapidshare por funcionários dentro dos estúdios, os quais foram prontamente demitidos de seus trabalhos.

Se ele ficou on-line ou não, está em debate, mas se os rumores estão certos, em algum lugar on-line o arquivo "suicidemouse.avi" pode ser baixado. Se você alguma vez encontrar uma cópia do filme, eu quero que você nunca veja ele, e para entrar em contato comigo por telefone de imediato, independentemente do tempo.

Este é o vídeo que dizem ser o original:





segunda-feira, 6 de abril de 2026

O Tolo

A placa acima da porta dizia:

“O Tolo.”

Uma estranha calma pairou sobre o grupo.

Chris foi o primeiro a falar.

“Novos começos… fé cega… aventurar-se no desconhecido.”

Ford soltou uma risada seca.

“Ou simplesmente estupidez.”

Ninguém contestou.

Desta vez, ninguém se apressou.

Mas Paul… Paul sorriu.

“Finalmente”, disse ele. “Algo que me soa familiar.”

Chris olhou para ele.

“O que você quer dizer?”

Paul deu de ombros.

“Passei a vida inteira entrando em lugares que não entendia. Países novos, pessoas novas… sem plano, sem mapa. Você simplesmente vai.”

Alex franziu a testa.

“Isso não é nada reconfortante.”

Paul se virou para ela, ainda sorrindo.

“É sim, quando funciona.”

Gregory empurrou a porta.

E pela primeira vez…

A sala não parecia uma sala.

Parecia um labirinto.

Um espaço imenso se estendia diante deles, muito maior do que qualquer julgamento anterior. As paredes eram pálidas, quase idênticas às salas anteriores — mas desta vez, se estendiam infinitamente, dividindo-se em múltiplos caminhos.

Diretamente à frente:

Um corredor.

No final dele—

Duas portas.

Esquerda.

Direita.

Sem símbolos.

Sem pistas.

Apenas uma inscrição simples acima de ambas:

“Escolha.”

“Só isso?” disse Wes. “Essa é a sala?”

Chris deu um passo à frente lentamente.

“Não… não é tão simples.”

Atrás do primeiro conjunto de portas… mais corredores eram visíveis.

E no final de cada um?

Outro par de portas.

Sete vezes.

Sete escolhas.

“Uma corrente”, murmurou Joseph. “Sete decisões.”

“Sete chances de morrer”, corrigiu Gregory.

Paul deu um passo à frente.

“Bem… acho que vou primeiro.”

Alex imediatamente segurou seu braço.

“Espere. Ainda não sabemos as regras.”

Paul se afastou delicadamente.

“Essa é a ideia, não é?”

Chris olhou para ele, agora sério.

“Paul… isso não é como os outros. Não há nenhum sistema que possamos decifrar ainda.”

Paul sorriu novamente, mas desta vez, havia algo teimoso por trás do sorriso.

“Vocês têm resolvido tudo até agora. Deixem-me tentar algo do meu jeito.”

Ford zombou.

“Isso promete ser divertido.”

Paul caminhou até o primeiro conjunto de portas.

Esquerda.

Direita.

Ele olhou para ambas… e então riu baixinho.

“A vida toda”, disse ele, “sempre que tive que escolher, simplesmente escolhi uma e segui em frente. Não importava qual.”

Ele colocou a mão na porta da esquerda.

“Vamos ver se a sorte ainda está do meu lado.”

Ele a abriu e entrou.

A porta se fechou atrás dele.

Silêncio.

Então—

Um som distante.

Não imediatamente.

Não dramático.

Apenas…

Um estalo abafado e ecoante.

Seguido de nada.

Alex cobriu a boca com a mão.

“…Não.”

Wes recuou um pouco.

“O que?… Foi só isso?”

Gregory encarou a porta, com uma expressão fria.

“Um erro.”

Chris não se moveu.

Seus olhos estavam fixos na porta.

“O Tolo…” ele sussurrou.

Joseph olhou para ele.

“O que isso significa?”

Chris engoliu em seco.

“Não se trata apenas de começos.”

Ele olhou para os outros.

“Trata-se de fé cega.”

Ford cruzou os braços.

“Então a lição é o quê? Não escolher?”

“Não”, disse Chris.

“A lição é… escolher sem pensar… ainda é uma escolha.”

A porta à frente deles destrancou lentamente com um clique pesado.

O caminho continuava.

Mais seis conjuntos de portas.

Ninguém se mexeu.

Alex falou baixinho.

“…Não podemos fazer isso aleatoriamente.”

“Não”, disse Chris.

“Desta vez… temos que pensar.”

Gregory deu um passo à frente.

“Então começamos a tratar isso como o que é.”

Ele observou cada porta com atenção.

"Um padrão. Um sistema. Sempre há um sistema."

Atrás deles, despercebido—

Ford observava o corredor.

Sem medo.

Sem estar abalado.

Apenas… pensando.

E bem à frente, além das portas restantes…

Algo no silêncio parecia diferente agora.

Como se a própria sala tivesse tomado sua primeira decisão.

O corredor se estendia à frente deles.

Mais seis escolhas.

Mais seis chances de errar.

Ninguém se ofereceu desta vez.

"Certo", disse Gregory, dando um passo à frente. "Vamos fazer diferente agora."

Ele se agachou perto das portas, inspecionando dobradiças, chão, batente.

"Placas de pressão. Diferenças de pressão. Qualquer coisa."

"Encontrou alguma coisa?", perguntou Wes.

Gregory balançou a cabeça negativamente.

"Nada óbvio."

Bulldog riu lá de trás.

"Todo esse pensamento... e ainda nada."

Gregory nem se virou.

“Então vá em frente. Mostre-nos como se faz.”

Bulldog deu um sorriso irônico, mas não se moveu.

Chris deu um passo à frente.

“Não temos pressa. Não chutamos.”

Ford assentiu levemente.

“Finalmente algo sensato.”

Alex permaneceu perto de Chris.

---

Segunda Escolha

Duas portas.

Idênticas.

Silenciosas.

Chris as encarou por mais tempo que os outros.

Algo naquele espaço… naquela quietude…

Parecia familiar.

Não a sala.

A sensação.

Uma lembrança tentando emergir…

Uma porta.

Uma escolha.

Um momento em que algo deu errado.

“Chris?” Alex sussurrou.

Ele piscou.

“…Porta da direita.”

Todos olharam para ele. Ford ergueu uma sobrancelha.

"E isso se baseia em...?"

Chris hesitou.

"Não sei. Só... não escolha aleatoriamente."

Gregory o observou por um segundo... e assentiu.

"Bom o suficiente."

Ele abriu a porta da direita.

Todos ficaram tensos—

Nada.

O corredor continuava.

Um suspiro coletivo escapou.

"Certo..." disse Wes. "Funcionou."

Lá do fundo—

"Palpite certeiro", murmurou Bulldog.

Chris não respondeu.

Mas sua expressão havia mudado.

---

Terceira Escolha

O ar parecia mais pesado agora.

Como se a sala estivesse observando.

Desta vez, Ford deu um passo à frente.

“Vamos usar a lógica.”

Ele apontou.

“As pessoas tendem a complicar demais os padrões. Então, vamos assumir a simplicidade.”

Gregory cruzou os braços.

“Continue.”

“Se a primeira porta correta não foi aleatória… então talvez ela se alterne.”

Esquerda.

Direita.

Esquerda.

“E agora?” perguntou Wes.

Ford deu um sorriso irônico.

“Esquerda.”

Ele abriu a porta.

Silêncio.

O corredor continuava.

Wes deu uma risada nervosa.

“Ok… ok, são duas.”

Bulldog bufou.

“Ou dois palpites de sorte.”

Ford se virou um pouco.

“Sinta-se à vontade para contribuir a qualquer momento.”

Bulldog apenas sorriu.

---

Quarta Escolha

Agora a tensão era real.

Duas escolhas certas não significavam nada.

Um erro — e tudo acabaria.

Dessa vez, Alex deu um passo à frente.

Sua voz estava mais baixa.

“Estamos partindo do princípio de que existe um padrão.”

Chris olhou para ela.

“Você acha que não?”

“Eu acho…” ela hesitou, “…que esta sala é sobre O Tolo.”

Todos ouviram agora.

“Isso significa… talvez não haja padrão nenhum.”

Silêncio.

Wes engoliu em seco.

“…Isso é pior.”

Gregory expirou lentamente.

“E aí? Congelamos?”

Chris fechou os olhos por um segundo.

Aquela sensação de novo.

Aquela lembrança ressurgindo —

Uma voz.

Um grito.

Uma porta.

Seus olhos se abriram de repente.

“…Direita.”

Ford franziu a testa.

“Você está chutando de novo.”

Chris balançou a cabeça.

“Não… eu só… não consigo explicar.”

Gregory deu um passo à frente.

Ele não hesitou.

Abriu a porta certa.

Uma pausa—

Então—

O corredor continuava.

Três portas em fila.

Agora até Ford parecia inquieto.

Atrás deles, o sorriso de Bulldog se desfez — apenas um pouco.

---

Quinta Escolha

“Certo…” disse Wes, com a voz trêmula. “Isso não é normal.”

“Não”, concordou Joseph. “Não é.”

Ford se aproximou de Chris.

“De onde você tirou isso?”

Chris esfregou a têmpora.

“Não sei… parece que já… estive aqui antes.”

Os olhos de Bulldog se estreitaram.

Só por um segundo.

Alex percebeu.

“Chris…” disse ela com cautela. “Do que você se lembra?”

Chris olhou para ela—

“…Uma porta.”

Silêncio.

“Uma porta… e alguém gritando.”

Bulldog desviou o olhar.

Gregory percebeu.

Mas não disse nada.

Chris respirou fundo.

“…Esquerda.”

Sem discussão desta vez.

Gregory abriu a porta.

O corredor continuava.

Wes riu de verdade desta vez.

“Ok—ok, isso está funcionando!”

Ford não sorriu.

“Isso não é lógica.”

“Não”, disse Joseph baixinho.

“É outra coisa.”

---

Sexta Escolha

A pressão era insuportável agora.

Eles estavam perto.

Perto demais.

A escuridão além do último corredor parecia diferente.

Mais pesada.

Espera.

“É a ultima”, disse Gregory.

Chris deu um passo à frente lentamente.

Aquela sensação era mais forte agora.

Fragmentos.

Uma máscara.

Uma luta.

Uma voz implorando—

Sua mão tremeu.

“…Direita.”

Ford agarrou seu braço.

“Espere.”

Todos congelaram.

Ford olhou para ele atentamente.

“Você não está adivinhando.”

Chris não respondeu.

Ford se inclinou um pouco para frente.

“O que aconteceu com você?”

Silêncio

Então—

Bulldog da um passo à frente.

“Chega disso.”

Ele passa por todos—

e bate com a mão na porta da esquerda.

“Bulldog, ESPERE—” Alex gritou—

A porta se abriu.

Uma pausa—

Então—

Um estalo distante e violento ecoou pelo corredor.

Seguido por algo mais pesado desta vez.

Molhado.

Final.

Silêncio.

Ninguém se mexeu.

Bulldog se vira lentamente.

Sorrindo.

“…Acho que escolhi a porta errada.”

Chris o encara.

Não com medo.

Não com raiva.

Algo mais.

Reconhecimento.

Só por um segundo.

Então, desaparece.

A porta da direita destranca com um clique alto.

Ninguém diz nada.

Um por um—

Eles entram.

A última porta se fechou atrás deles com um baque pesado e ecoante.

A sala além era pequena.

Pequena demais.

Depois de tudo o que tinham acabado de atravessar… parecia errado.

Vazio.

Branco.

Silencioso.

Wes encostou-se na parede, respirando pesadamente.

“…Só isso?”

Ninguém respondeu.

Gregory ficou parado, braços cruzados, os olhos percorrendo o grupo.

Contando.

Avaliando.

“Dois se foram”, disse ele secamente.

“Paul… e quem quer que fosse aquele.”

As palavras pairaram no ar.

Nem mesmo um nome para o segundo.

Apenas—

alguém.

Alex olhou para baixo.

Suas mãos tremiam.

“…Ele nem hesitou.”

Ninguém precisou perguntar a quem ela se referia.

Chris encarava a porta pela qual tinham acabado de passar.

Não com medo.

Nem mesmo com raiva.

Mas como se tentasse enxergar através dela.

“…Eu me lembro de algo”, disse ele baixinho.

Isso fez com que todos olhassem para ele.

Até mesmo Ford.

Chris não se mexeu.

“Havia uma porta.”

Sua voz soava distante.

“Não aqui… antes disso.”

Bulldog se mexeu levemente.

O suficiente.

“Havia gritos… alguém implorando…”

Chris pressionou os dedos contra a têmpora.

“…e outra pessoa… observando.”

Silêncio.

Alex se aproximou.

“Chris…?”

Ele piscou. O momento passou.

“…Já passou”, murmurou ele.

Ford o observou atentamente.

Não com escárnio desta vez.

Com interesse.

“Isso não é aleatório”, disse Ford.

“É memória.”

Chris não respondeu.

Do canto—

Uma salva de palmas lenta.

Bulldog.

“Bem, isso foi divertido”, disse ele.

“Entrar, abrir portas, pessoas morrem. Simples.”

A cabeça de Gregory inclinou-se ligeiramente.

“Você acha que isso é uma brincadeira?”

Bulldog deu um sorriso irônico.

“Acho que pessoas morrem todos os dias. Isso é só… mais organizado.”

Isso foi a gota d'água.

Alex deu um passo à frente. “Você abriu aquela porta.”

A voz dela tremia, mas não falhou.

“Você não se importou.”

Bulldog olhou para ela.

E sorriu.

“Se importar com o quê?”

Chris se moveu.

Apenas um passo.

Mas foi o suficiente.

Algo mudou no ar.

“Você não se lembra, não é?” Bulldog disse casualmente.

Chris congelou.

Uma pausa.

“…Lembrar do quê?” Chris perguntou.

O sorriso de Bulldog se alargou —

E desapareceu tão rápido quanto surgiu.

“Nada.”

Gregory estava observando agora.

Atentamente.

Ford também.

Mas ninguém insistiu.

Ainda não.

Um estalo metálico e alto ecoou pela sala.

A próxima porta destrancou.

Todos se viraram.

Acima dela, o próximo nome se revelou:

“A Torre"

Desta vez, ninguém se apressou.

Wes engoliu em seco.

“…E agora?”

Chris olhou para a porta.

Depois para o grupo.

Depois… para Bulldog.

“…Agora”, disse ele baixinho,

“as coisas desmoronam.”

Bulldog deu uma risadinha.

Mas, pela primeira vez—

Ninguém mais riu.

E enquanto caminhavam em direção à próxima sala…

Ficou claro.


Eles não tinham apenas sobrevivido ao Louco.

Eles haviam perdido:

sua certeza

sua confiança

e qualquer ilusão de que isso pudesse ser controlado

Daqui em diante—

Não haveria mais adivinhação.

Apenas consequências.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

1999

1999. Eu era apenas um menino de 5 anos de idade. 1999 é um ano que existe como um chiclete jogado no chão em minha mente e, por mais que eu tente esquecer, suas memórias jamais desaparecem.

Tudo começou com aquela velha TV. Pokémon era a última moda na escola: cartas, jogos, figurinhas, e o mais popular, os programas da TV. É claro que toda vez que eu chegava da escola, minha vontade era de ficar grudado à tela da televisão até Pokémon começar. O problema era que o noticiário que meu pai assistia começava na mesma hora que os episódios de Pokémon, o que significava que eu perderia um episódio por dia, algo que me deixava completamente desapontado porque queria falar sobre eles na escola com meus amigos. Meu pai cansou-se de me ouvir reclamar sobre isso todos os dias e resolveu comprar outra televisão.

Meu pai colocou a tv que tinha comprado no meu quarto, mas infelizmente era uma daquelas bem antigas. Só tinha 20 canais e não incluía o canal em que passava Pokémon. Mas eu não me importava, pois estava emocionado porque tinha minha própria tv no quarto. Depois de navegar pelos canais disponíveis, cheguei à conclusão de que apenas o canal 2 valia a pena, então assisti isso por um tempo.

Um dia descobri um programa novo chamado Caledon Local 21, no mês de Abril.

Os programas que eu vi neste canal pareciam mal feitos e eu nunca entendia o que estava acontecendo na maior parte do tempo. No entanto, eu cresci. E toda vez que eu lembrava daqueles programas, os achava ainda mais sem sentido e confusos e me perguntava: "Que diabos eu estava assistindo?"

O que segue abaixo é uma lista de programas e episódios que me lembro de ter visto no Caledon 21. Me assusta a riqueza de detalhes em minha memória, mas acho que coisas como esta marcam sua mente. Havia apenas 3 programas no canal.

O Porão do Sr. Urso, episódio 12: O programa mostrava um cara vestindo uma fantasia de urso que recebia um novo visitante em seu porão todos os dias (eram sempre crianças). Era filmado com uma câmera de vídeo com uma qualidade ruim. A polícia me fez inúmeras perguntas sobre este programa. O episódio começava com o Sr. Urso sentado em uma mesa jogando damas sozinho. Ele ficou lá sentado por um tempo até ouvir uma batida na porta. A câmera foi então mostrando os degraus até a porta, onde ouve se a batida de novo.

O Sr. Urso subiu as escadas e abriu a porta, lá estavam duas crianças. Um era menino e aparentava ter 5 anos, e a outra era uma menina que parecia ter 8 anos. O Sr. Urso dançou com a chegada das crianças e em seguida começou a conversar com eles. Pelo que me lembro, não era possível escutar nada do que eles diziam. O Sr. Urso então levou as crianças para o porão, que era bastante escuro e iluminado apenas por um pequeno abajur. Eu realmente não me lembro de muita coisa, a não ser ele cantando uma música que eu nem conseguia ouvir muito bem, por causa da máscara de urso. O episódio terminava com eles brincando de esconde-esconde, com as crianças escondidas no armário e o Sr. Urso contando.


Maio/1999
Sopa e Colher: Eu não acho que isso tenha sido realmente um programa, acredito que tenha sido mais algo como um filme de curta-metragem. Eu tinha parado de assistir o canal Caledon Local 21 por uns tempos, um pouco porque os programas eram meio estúpidos, além disso, Pokémon havia mudado de horário. Eu não me lembro de muito, mas o programa foi filmado em um porão semelhante ao que foi usado pelo Sr. Urso. A coisa toda durou cerca de meia hora, e achei estúpidas algumas cenas como uma em que a colher persegue a lata de sopa, tentando comê-la. No final mostra uma mesa com 7 crianças sentadas, cada uma com seus pratos. Elas olhavam para a câmera, mas confusos e com uma expressão de medo em seus rostos. O homem da câmera, em seguida, segura uma lata de sopa na frente das crianças e diz: "Prontas?" E então acaba.

Julho/1999
Era verão e não assistia ao canal 21 há um bom tempo. Até que um dia, fui dormir na casa de um amigo e decidi verificá-la novamente. Meu amigo tinha ganhado uma tv de aniversário, por isso ficamos acordados até muito tarde (21:30h para nós, na época, era muito tarde, rs) e assistimos à televisão. Foi quando me lembrei do Canal 21 e mostrei para o meu amigo. Decidimos ver se ainda estava transmitindo, e para nossa surpresa, estava (eles devem ter mudado o horário da programação).

O Porão do Sr. Urso, episódio 23: Este episódio foi divertido para o meu amigo e eu, principalmente porque tinha palavrões. No entanto, quando eu penso, hoje, neste episódio, eu percebo que algo muito errado devia estar acontecendo quando ele foi filmado. Começa com a imagem da câmera deitada, de lado, enquanto gravava o Sr. Urso subindo as escadas para a porta do porão. A câmera apaga por cerca de 1 segundo e volta. Havia um garoto falando com o Sr. Urso, esse garoto parecia ter 11 ou 12 anos. Ele ficou conversando com Sr. Urso por um tempo, mas eu não conseguia ouvir bem até que o menino começou a levantar a voz.

O garoto estava dizendo que já era tarde e sua irmã deveria ir para casa. (dava para ouvir vozes no fundo), O Sr. Urso dizia: "Sai daqui, porra! Vai embora!), com uma voz grossa abafada pela máscara de urso. Lembro-me de meu amigo e eu olhando um para o outro e rindo. Nossos pais nos davam uma bronca sempre que começavamos à xingar. Mas o episódio ficou ainda mais estranho. O garoto subiu as escadas antes de se virar e dizer que chamaria a polícia. Neste momento, o Sr. Urso começou a correr em direção a ele, que corria e gritava também. A câmera, então, corta a imagem e este foi o final do episódio. O canal entrou em estática pouco depois.

Agosto/1999
Em agosto, eu fiquei curioso para ver O Porão do Sr. Urso. O último episódio que vi do Sr. Urso era muito estranho, e tinha palavrões, o que também me fez pensar que o programa era feito para adolescentes. No entanto eu coloquei no canal para assistir enquanto meu pai estava ocupado.

O Porão do Sr. Urso, episódio 28: Aparentemente este episódio foi passado na tv durante todo o mês de agosto. Foi muito estudado pela polícia. O episódio inteiro foi o Sr. Urso sentado em uma cadeira falando para a plateia: "Olá, crianças! Vocês querem visitar o meu porão? Se vocês quiserem, por favor me escrevam uma carta neste endereço!". A tela, em seguida, foi mudada por uma tela toda branca com letras coloridas contendo o endereço e assim permaneceu todo o resto do episódio. E adivinha o que eu fiz? Enviei uma carta ao "Sr. Urso", ou aquele doente que o representava pedindo as cartas. Eu fiz isso principalmente por curiosidade. Meu pai ficou de boa quanto a isso, pois ele pensava que era um programa legítimo para crianças, já que nunca havia visto nada do que realmente passava no Canal 21. Então eu escrevi uma carta com minha melhor letra e acho que acabei dizendo que queria muito conhecer o Sr. Urso. Meu pai enviou a carta para o endereço que o Sr. Urso passou durante o programa (que ficou passando durante o dia todo de qualquer maneira, por alguma razão). Demorou cerca de uma semana para eu receber uma resposta. Tenho até hoje a carta que recebi em 15 de agosto de 1999. A carta dizia:

"Querido Eliot, muito obrigado pela carta. Eu adoraria te ver aqui na minha casa! Nós iríamos brincar, ver filmes e fazer uma fogueira durante um acampamento na floresta. Venha a minha casa em (... a polícia cortou este endereço...), Caledon, Ontário, Canadá. Espero muito poder me divertir com você! Com amor, Sr. Urso."

Eu não posso acreditar que meu pai nunca soube quem era esse cara, já que ele me levou até a casa. E, em seguida, é quando a polícia se envolveu, com perguntas intermináveis, fotos de crianças aterrorizadas, florestas, etc.

Isso me leva à razão pela qual estou escrevendo este texto, aquele psicopata e seus amigos ferraram a vida de algumas pessoas naquela época com aquela merda toda, e parece que agora ele está tentando entrar em contato comigo novamente, e a coisa toda da polícia está voltando a minha mente.

14 de novembro de 2009
As pessoas têm me perguntado o que exatamente me aconteceu em 1999: eu vou contar. Estes programas de tv estranhos que eu estava assistindo aparentemente foram feitos para atrair crianças para a casa do Sr. Urso, o que depois, chocou a cidade inteira.

Meu pai realmente me levou até Caledon seguindo o endereço do Sr. Urso deixado na carta. A casa ficava fora da cidade, em campo aberto, terras agrícolas. Ainda me lembro daquela casa. Parecia uma casa vitoriana. As janelas estavam todas fechadas com tábuas. Como nós caminhamos até a casa, lembro que meu pai checou o endereço várias vezes, olhando para a casa com descrença. Então a porta se abriu.

Eu esperava que o Sr. Urso estivesse na porta, mas fiquei surpreso ao ver um policial sair da porta. O policial começou a falar com meu pai, enquanto eu perguntei se era a casa do Sr. Urso. O policial ficou assustado e murmurou: "Oh meu Deus..." ou algo parecido. Ele começou a falar em voz baixa com meu pai, e eu não conseguia ouvir, mesmo assim, meu pai me disse para entrar no carro. Então, nós simplesmente fomos para casa. Meu pai estava calado durante todo o percurso para casa. Eu senti que algo estranho tinha acontecido.

Meu pai não me contou o que aconteceu. A lembrança do Canal 21 não veio por um longo tempo, e quando eu perguntei sobre isso ao meu pai, ele falou que não existia. Acho que foi quando eu tinha 13 anos que eu soube a verdade. Lembrei-me do Canal 21 um dia, e perguntei ao meu pai de novo e ele finalmente decidiu que eu deveria ouvir a verdade.

Caledon Local 21 foi um canal de Tv local que transmitiu programas entre outubro de 1997 e agosto de 1999, em Ontario, Canadá. O canal inteiro foi feito a partir de uma casa em Caledon e executado por um homem.

[Atualização] - 02 de dezembro de 2009
Desculpe por demorar a responder perguntas. Em outubro passado, visitei a casa anteriormente propriedade do homem que dirigia o Caledon 21. Duas mulheres viveram lá, operando uma escola. Agora responderei as questões que vocês mandaram para mim:

Pergunta: Quem mais assistiu o Caledon Local 21?
Resposta: Eu sei que outras pessoas assistiram com certeza, incluindo aquelas que faleceram na casa. Depois de algumas pesquisas no Google, eu encontrei algumas pessoas nos fóruns que discutiam programas do Caledon Local 21. Eles falavam sobre os programas infantis que eu assisti, mas também de outros dois programas que eu nunca havia assistido. Um usuário chamado "iamreallife" parecia conhecer todos os episódios dos programas transmitidos no Canal 21. Aqui estão os dois que eu nunca tinha ouvido falar:
O Anjo Caído e Vida. "iamreallife" descreveu-o como um show bastante chato sobre um cara divagando na frente da câmera sobre como devemos agradar a Satanás, antes que seja tarde demais.
Pinte com a Alma. "iamreallife" e outro usuário chamado "sigy92" estavam discutindo sobre este programa. Eles descreveram como sendo parecido com "Bruxa de Blair", que consistia em o cinegrafista vagar em torno de uma floresta durante a noite, sem fazer nada particularmente interessante. Eu vou procura a conversa de novo para postar o link.
Pergunta: Onde está o Sr. Urso ou o cara que vestia a fantasia?
Resposta: Se eu soubesse, já teria dito. Eu não tenho nenhuma ideia de onde este cara está, se está vivo ou morto (espero que morto). Quando eu me encontrar com o amigo do meu pai de novo, perguntarei a ele sobre isso, talvez eu possa obter uma resposta mais definitiva.
Pergunta: O que o Sr. Urso fazia com as crianças?
Resposta: Esta é a pergunta mais frequente que eu recebi. Descobri isto em outubro através de um amigo do meu pai, que é um policial aposentado em Caledon. Aparentemente, o homem que fazia o papel do Sr. Urso levava as crianças para fora da casa e para a floresta nas proximidades. O que ele fazia lá, a polícia não sabe exatamente ao certo o que aconteceu, mas 16 corpos carbonizados de crianças amarradas e amordaçadas foram encontrados em um buraco enorme dentro da floresta. O amigo do meu pai não quis entrar em detalhes exatos, mas eu o encontrarei na próxima quinta-feira, então talvez possa adquirir mais informações dele.
Isso é tudo o que eu tenho por agora. Obrigado por manterem o interesse no meu blog, eu vou tentar reunir o máximo de informações que puder para a próxima postagem. Eu estou realmente muito interessado nessa minha história do passado. Deve ser o meu direito de finalmente saber o que diabos aconteceu.

[Atualização] - 14 de janeiro de 2010
Me desculpem, não tenho postado nada por um tempo, e meio que perdi o interesse por este blog desde que eu percebi que o foco se tornou procurar mais informações sobre o proprietário do Caledon Local 21. Encontrei algumas respostas através do pai de uma criança que eu costumava tomar conta. Ele mora do outro lado da minha rua e eu costumava cuidar dos filhos dele quando eles eram menores, e ele atualmente está com 75 anos. Ele morava perto da mata naquela época, fora da cidade de Caledon e testemunhou atividades do proprietário do Canal 21 na floresta. Seu nome é Anthony Pollo.

Quando Pollo vivia num pequeno bangalô fora do bosque, costumava fumar cigarros antes de retornar ao seu trabalho. Pollo descreveu que às vezes ouvia vozes de crianças provenientes das profundezas da floresta, bem como enxergava luzes brilhando na floresta. Pollo me contou que esses eventos começaram em setembro de 1997 (Nota: este é o período em que o Caledon Local 21 começou a ser exibido). Ele acabou se irritando com os barulhos, ou talvez tenha ficado intrigado com essas ocorrências e resolveu investigar.

Pollo descreveu como a cena toda parecia quando ele chegou lá. Havia um grupo de crianças com idades entre 5 e 12 anos, reunidos em torno de uma grande fogueira em chamas. Com eles havia um único adulto, um homem. Pollo conversou com o homem e perguntou o que ele estava fazendo na floresta com as crianças. O homem disse que estavam em um acampamento e que eles o faziam com frequência. Pollo simplesmente deixou por isso mesmo e pediu que fossem um pouco mais silenciosos. Pollo, em seguida fez uma pausa antes de me dizer que eles nunca respeitaram seu pedido de moderação, pelo contrário, por vezes, ele ouvia as crianças cantando alto em uma língua desconhecida. Ele não se incomodou em ir conversar com o homem de novo, já que o homem estava de mudança, de qualquer maneira.

Eu disse a Pollo que aquele homem era provavelmente o proprietário do Caledon Local 21, mas ele duvidou, porque soube por vários outros moradores da região que ele estava se mudando para Pickering.

Aqui está o que eu sei agora: - O homem levava as crianças para a floresta para acampar. - A fogueira que Pollo descreveu pode ter sido feita no local onde o buraco com os corpos das crianças foi encontrada. - As crianças que Pollo viu aquele dia eram provavelmente as que foram encontradas mortas. - O homem mudou-se para Pickering. Vou discutir isso com o amigo do meu pai e ver se isso corresponde a qualquer coisa que a polícia saiba sobre o caso. Também quero ver se ele tem qualquer outro conhecimento sobre o que foi exibido no Canal 21.

[Atualização] - 10 de fevereiro de 2010
Eu falei com o amigo do meu pai e ele revelou um monte de informações para mim. Primeiro perguntei se a polícia tinha qualquer informação sobre o homem que dirigia o Caledon Local 21, e ele respondeu que eles somente tiveram as mesmas informações por anos e nunca encontraram um suspeito. No entanto, a polícia regional de Peel tem algumas fitas de vídeo encontradas na casa onde Caledon Local 21 foi transmitido, e ele me levou para que pudesse assistir algumas. Eu acho que eu não disse muito sobre ele ainda, mas o nome do amigo do meu pai é Mitchell Wilson, um cara muito legal. Ele meu deu 3 fitas das 5 que tinha, mas se recusou a me dar o resto quando perguntei pra ele se eu poderia levar as outras.

O Porão do Sr. Urso, episódio 25. Quando o administrador da polícia trouxe esta fita, eu realmente soltei um "Oh, merda..." e ri um pouco alto. Claro que ganhei olhares assustados dos oficiais da equipe, mas Wilson explicou a eles a minha experiência com o Sr. Urso e sobre eu ainda possuir a carta que ele me enviou. Como nos episódios anteriores, este incluía um cara vestindo um traje, uma fantasia de urso. O capítulo começa com Sr. Urso andando até a mesa com uma toalha vermelha e uma garrafa de suco de laranja em suas mãos. Na mesa havia 16 copos pequenos de bebidas, e uma pequena garrafa que continha um líquido desconhecido. O Sr. Urso derramou uma quantidade igual de suco de laranja em cada copo antes de abrir a garrafa menor e depositar uma gota do líquido misterioso neles. Em seguida o urso sai da visão da câmera, havia sons de falas no fundo, e logo, o Sr Urso volta para trás da câmera. Seguindo-o estavam 16 crianças, alguns aparentavam cerca de 4 anos, muito pequenas, enquanto outros aparentavam serem pré-adolescentes. À medida que as crianças entravam em cena, o administrador comentou que este é o único episódio que mostra todas as 16 vítimas. As crianças pareciam todas bastante contentes, exceto uma que tinha hematomas visíveis no rosto, e ao contrário das outras crianças, ele tinha uma expressão de medo. Este garoto aparentava ter 11 ou 12 anos, o que levou-me a reconhecê-lo. Ele era o garoto que tinha perguntado sobre sua irmã e que, posteriormente, teve um destino desconhecido no episódio 23. Quando contei isso ao policial, ele confirmou que era sim o mesmo garoto, e que ele também foi destaque no episódio 24 (um capítulo que foi ao ar somente uma vez, em julho de 1999, às 3:00h da tarde, e que a polícia ainda não tinha encontrado a fita). O Sr. Urso então começou a cantar uma música sobre frutas cítricas e os benefícios da vitamina C (eu mal podia entender a letra por causa da máscara de urso). As crianças todas beberam seu suco (exceto o menino do episódio 23, que bebeu a força por causa do Sr. Urso cochichar algo em seu ouvido), e terminou. Depois de ver as 3 fitas de posse da delegacia da estação de Davis, fiquei satisfeito, mas temporariamente. Eu ainda quero saber a história completa, a polícia continua me dando sempre a mesma porcaria sobre o criador de Caledon Local 21 ser um pedófilo fetichista, bem como um praticante de estudos ocultistas. Vou terminar hoje por aqui. Espero poder voltar a este blog o mais rápido possível.

[Atualização] - 08 de maio de 2010
Em 17 de abril eu finalmente consegui minha habilitação de motorista. Eu, claro, tirei vantagem disto e dirigi para Caledon para um pequeno "passeio de domingo". Não tenho atualizado este blog há algum tempo, e percebi que poderia muito bem visitar a casa onde o Canal da minha infância foi localizado. A casa parecia diferente do que quando eu a vi pela última vez em outubro. O lugar foi abandonado. No entanto, tinha uma placa de "Vende-se".

O que aconteceu com as crianças enquanto elas estavam vivendo naquela casa? Eu caminhei até as escadas da porta da frente e olhei pela janela. Dentro da casa eu podia ver um corredor quase vazio com algumas caixas no fundo.

No final do corredor à direita havia uma porta aberta, presumivelmente, que dava para a cozinha. À esquerda havia duas portas, ambas aparentemente levavam até quartos através das janelas de fora. Eu me perguntava onde era a entrada do porão que foi localizado e se tinha sido selado. Eu andava ao redor da casa e encontrei a minha resposta. Duas portas foram fechadas com cadeado, e com certeza levava ao porão. Não querendo ficar por ali (você não pode imaginar o que estava acontecendo em minha mente naquele momento) eu parti. Atrás da casa, o campo vazio continuava até que chegar a uma densa floresta que se alinhavam no horizonte. Eu me perguntei se era a floresta onde os corpos das crianças foram encontrados. Eu comecei a andar pelo campo atrás da casa para a floresta. A floresta era calma, dava para ouvir os sons de um pica-pau picando uma árvore. Eu cautelosamente fiz o meu caminho mais a fundo no bosque, sem me preocupar com o fato de que eu não tinha ideia de onde eu estava indo. Eu não sei como explicar isso, mas parecia que havia algo que eu tinha que encontrar. Eu vim para uma parte mais fina da floresta e havia algumas pequenas casas ao longe. A casa de Pollo passou pela minha cabeça e me perguntei se uma dessas casas havia pertencido a ele. Me aproximei de uma pequena clareira na qual eu podia ver cadeiras reunidas em uma espécie de semicírculo.

"Ei! Cai fora daqui!" Essas palavras quase me causaram um ataque cardíaco. Virei-me para a minha esquerda e vi duas pessoas vestidas com roupas escuras correndo em direção a mim. Meu pensamento inicial foi de correr, no entanto como eles chegaram mais perto, vi que eram realmente apenas meninos pré-adolescentes, possivelmente 13 ou 14, talvez até 12.

"Nós dissemos cai fora daqui.", disse o garoto loiro que vestia uma camisa roxa, obviamente intimidado. Eu mantive minha posição e dei de ombros. O garoto de cabelo preto usava uma camisa de um rockeiro tirou um canivete e apontou-o em minha direção. "Você não pode fazer isso. Se fizer, chamarei a polícia." Eu disse sério (tentando parecer o mais durão quanto possível). Peguei meu celular.

O menino guardou o canivete. "Olha cara, nós não gostamos de pessoas aqui, assim você pode simplesmente ir embora daqui?". Eu não tinha nada para fazer na floresta de qualquer maneira, então eu soltei um "Tudo bem." simplesmente e me virei para ir embora. Mas percebi que tinha uma grande oportunidade. "Algum de vocês já ouviu falar de um cara que matou um monte de crianças nesta floresta tipo... uns 13 anos atrás?", eu perguntei às crianças. Os dois se entreolharam em confusão, mas o da camisa de rockeiro respondeu "Sim ... Todo mundo sabe sobre esse cara", ele disse para mim. "Ele se suicidou... o amigo do meu irmão mais velho disse que ele morreu em 1999, se enforcando."

"Você não é daqui, é? Por que você veio até aqui?" Eu disse aos dois garotos sobre a minha experiência com o homem e Caledon 21.

[Atualização] - 07 de outubro de 2010
Nossa, quase 5 meses desde que eu fiz a última atualização. Eu suponho que todos praticamente acharam que eu estava morto, certo? Felizmente eu não estou. Mas sério, eu realmente tenho estado muito ocupado nos últimos meses, e um blog sobre algo que poderia ter me matado quando criança está um pouco abaixo na minha lista de prioridades atual. Agora estou morando Waterloo, Ontario. Em 10 de setembro, recebi um e-mail que dizia: "Caro Elliot, Meu querido, querido menino,

Tenho muitas saudades de você. Oh, como você cresceu! Seus belos olhos continuam os mesmos, lindos e castanhos. Naquele dia, você veio me visitar e eu me senti tão feliz que eu queria sair e colher morangos. Meu amigo me disse que você me procurou! Ah, sim, ele me disse que você procurou!

Agora em breve, você não vai ser mais solitário! Eu sinto muito por não poder ter dito "Olá" quando você veio me visitar, não uma vez, 2 vezes! Não há perigo, em breve você vai finalmente poder brincar com as outras crianças. Vou tentar deixar o meu porão ainda mais aconchegante do que antes!!!

Sr. urso"

Pode ser que este email é falso.

[Atualização] - 07 de novembro de 2010
Desde o meu último post, muita coisa aconteceu. Vamos recapitular onde eu estou agora com relação a todo o incidente do Sr. Urso. O email não me mandou mais nada depois que mandei várias respostas pra ele.

não está mais em uso, eu tentei responder ao e-mail, mas não obtive resposta. Tentei de novo em março, ainda sem resposta. Eu me mudei para Ottawa (Capital do Canadá) por causa da universidade, então eu não tenho ido para Caledon ou para casa na região de Peel por um tempo. Eu tinha minhas razões para me mudar como você poderia imaginar o porquê. Eu tive que fazer uma nova conta de e-mail porque as pessoas continuam me enviando brincadeiras fingindo ser o Sr. Urso. Muito obrigado, caras (só que não!).

Por que eu me arrisquei a voltar para este blog? Mitchell Wilson (lembram do amigo ex-policial do meu pai?) me telefonou em 23 de Outubro para falar sobre uma fita que foi encontrado em uma biblioteca pública.

[Atualização] - 21 de janeiro de 2011
Na quarta-feira, 1 de Janeiro, eu liguei para Mitchell Wilson e perguntei se teria um tempo para que eu passasse por lá para ver as fitas. As coisas estavam bastante lentas na estação por causa de uma tempestade de neve, mas ele disse que eu poderia ir para lá a qualquer momento naquele dia. As fitas estavam em um lugar não muito longe. Então eu enfrentei as estradas e os terríveis motoristas de Brampton e fiz meu caminho para a delegacia regional de Peel localizado no centro da cidade de Bramalea. Eu encontrei Wilson na frente da escrivaninha onde, então, levou-me até o segundo andar a um pequeno escritório. Ele instruiu-me a sentar em um banco e esperar enquanto ele corria e pegava as fitas. Antes de deixar o escritório, ele se virou para mim e disse "Eu sei que você está curioso, mas ... você tem certeza que quer ver isto?" Claro que sim, ou pelo menos pensava que sim. Além disso o amigo de Wilson tinha feito muito para me fazer chegar lá e eu não queria perder a oportunidade. Esta estação em particular teve 2 fitas na mão. Eu só tinha permissão para assistir a um deles, no entanto, porque a segunda fita aparentemente estava muito danificada para ser girada em um videocassete.

O Porão do Sr. Urso, episódio 30: O Sr. Urso nunca deixa de me perturbar, especialmente depois do que quase aconteceu quando eu era mais jovem. Este episódio ocorreu fora em uma floresta no crepúsculo, tornando-o um pouco difícil de ver especialmente considerando a qualidade do filme (marca registrada por qualquer coisa de Caledon Local 21). O episódio começou com a câmera focada nas mãos do Sr. Urso apontando-a para si mesmo.

Aquela máscara de urso... parecia mais sinistra nas sombras das árvores. A voz abafada inconfundível falou; "Olá, crianças! Hoje eu farei uma coisa maravilhosa para os meus amigos, vou levá-los a uma terra distante, onde eles vão ser felizes!". O Sr. Urso virou a câmera ao redor para mostrar um trator com um atrelado, mas o que mais foi estranho eram as vozes abafadas. "Esta aqui é a primeira carga, mas outras estarão a caminho em breve!" O Sr. Urso se virou e apontou a câmera para um buraco enorme no chão.

O resto do episódio consistiu em o Sr. Urso pegar cada criança e deixá-la cair no buraco. Perguntei a Wilson se elas já estavam mortas e ele sacudiu a cabeça e respondeu: "Ainda não". Logo todas as crianças estavam no buraco, alguns estavam em posições incômodas devido a ter sido atiradas, mas algumas delas permaneceram inconscientes ou quietas. "A vitamina C certamente irá ajudar estas crianças na grande jornada que os espera!", disse o Sr. Urso movendo a câmera para várias garrafas de gasolina ao lado de um arbusto. A câmera deu zoom nas garrafas enquanto o Sr. Urso cantarolava antes do episódio terminar.

Wilson revelou-me que algumas crianças foram encontradas vivas com queimaduras e foram levadas de volta para seus pais, que levaram elas ao hospital. O Sr. Urso usou várias caixas de fósforos para incendiar as crianças. Um buraco cheio de crianças queimadas... quem diabos faria isso? Esse sentimento de pavor me encontrou, mais uma vez, quando eu percebi que eu poderia ter sido uma daquelas crianças.crianças.

[Atualização] - Data desconhecida
Era uma vez...

Um rapaz chamado Elliot

Elliot era um menino que adorava brincar como uma criança normal.

Um dia, ele assistiu a um programa de televisão sobre um urso e seus amigos

As crianças adoraram a ajudar uns aos outros como boas crianças fariam, mas eles também adoravam o urso

O urso amava as crianças uma vez que as crianças eram tão boas em ajudá-lo e ao anjo caído

As crianças e o urso queriam brincar para sempre

Mas o anjo caído precisava de ainda mais ajuda, por isso as crianças tiveram que fazer o sacrifício final

Porque é isso que os amigos fazem, Elliot

Eles ajudam uns aos outros

Ajude-nos, Elliot, fique com a gente, Elliot

Eu quero você, Elliot, ele quer você, Elliot

Volte para o meu porão

Peço por favor com um bolo de confeiteiro e uma cereja no topo!

- Sr. Urso

[Atualização] - 05 de abril de 2011
Desculpem me, algum idiota que não tinha nada melhor pra fazer, tinha hackeado minha conta e publicou esse poema estúpido aqui. Depois de algumas semanas de silêncio, eu decidi pedir a Mitchell Wilson se eu poderia ver o que havia na fita que ele não queria me mostrar. Ele ficou relutante, mas me convidou para ir a sua casa em uma tarde de segunda-feira. Depois de ter visto um filme de Jogos Mortais, eu tinha certeza de que seria capaz de ver a fita.

O Porão do Sr. Urso, episódio 31: O episódio começou numa floresta, como nos episódios anteriores. Demorei para perceber isso porque era noite, as árvores e as folhas pareciam formas dançantes em torno na escuridão. Um fraco brilho de luz estava presente no lado direito da tela. Não houve qualquer áudio aparente, parecia ser uma noite de ventania e, mesmo assim, as árvores não faziam qualquer barulho. Lentamente, a câmera começou a deslocar para o brilho, revelando fumaça subindo de um buraco com a ponta das chamas saindo da parte superior deste buraco. Wilson fez uma pausa neste ponto; "Você tem certeza que quer ver isso?" ele me perguntou. Eu insisti que sim.

O vídeo continua, o cinegrafista move-se em direção ao buraco, mostrando um buraco pegando fogo. Este foi o buraco que eu tinha visto no episódio anterior. Só que desta vez estava cheio de formas. Eu podia ver formas dentro dele. Eu sabia o que eram. Eu gostaria de poder esquecer o que vi, mas você não pode esquecer uma cena como esta. Este não era um filme de terror, essa era a realidade. Os seres humanos sendo mortos de maneira horrível. O vídeo de repente cortar para a câmera posicionada agora mais longe do buraco. O fogo tinha acabado, no entanto, ainda havia fumaça. A câmera cai no chão e ouve se passos de alguém aproximando lentamente.

A cena mostra roupa do Sr. urso no chão. A roupa foi colocada em forma de uma cruz. O episódio terminou com a imagem de uma corda de forca.

Eu fiquei sem palavras, foi como um sonho. Você pode encontrar um monte de coisas terríveis na internet, mas eu nunca tinha visto nada assim. Wilson perguntou se eu estava ok e eu respondi com um trêmulo "sim". Assegurei-lhe de que eu estava bem e que o vídeo deu-me algum fechamento ao longo de todo o incidente. Ele não parecia muito confiante em mim, mas ele deixou por isso mesmo. Ele estava certo, porém, eu tive pesadelos durante semanas. Eu desisti, eu não me importava mais com a coisa toda. Um homem doente queimando crianças vivas, atraindo-os com o canal de TV para crianças falso. Eu poderia ter sido uma de suas vítimas, mas eu ainda estou aqui. Acho que eu deveria ser grato, mas eu me sinto culpado. Eu ainda estou aqui apenas por pura sorte?

Meu blog foi inundado com comentários, algumas pessoas pediam mais detalhes, outras perguntaram se eu podia enviar as fitas, e ainda outras mais me enviaram e-mails afirmando ser o Sr. Urso. Em primeiro lugar, nem mesmo eu, envolvido no casa, posso obter as fitas pois elas são: A)Provas da polícia e B) Eu não sei como rodar VHS no computador. Agora, para pessoas que fingem ser o Sr. Urso: Vão caçar uma louça para lavar. Eu mesmo vi um Caledon Local 21 falso no YouTube, que é bonito, mas ainda não é real. A pessoa apagou o vídeo horas depois. Ainda mais irritante é o fato de que alguém hackeou minha conta só para colocar algum poema sobre mim neste blog. Eu vou deixá-lo aí mesmo.

Eu estou bem sobre o episódio 31 agora, mas as imagens do que eu vi ficarão comigo por um tempo. Vou entrar em contato com Mitchell Wilson novamente e espero conseguir assistir as outras fitas. Vou tentar manter vocês atualizados.