A placa acima da porta dizia:
“O Tolo.”
Uma estranha calma pairou sobre o grupo.
Chris foi o primeiro a falar.
“Novos começos… fé cega… aventurar-se no desconhecido.”
Ford soltou uma risada seca.
“Ou simplesmente estupidez.”
Ninguém contestou.
Desta vez, ninguém se apressou.
Mas Paul… Paul sorriu.
“Finalmente”, disse ele. “Algo que me soa familiar.”
Chris olhou para ele.
“O que você quer dizer?”
Paul deu de ombros.
“Passei a vida inteira entrando em lugares que não entendia. Países novos, pessoas novas… sem plano, sem mapa. Você simplesmente vai.”
Alex franziu a testa.
“Isso não é nada reconfortante.”
Paul se virou para ela, ainda sorrindo.
“É sim, quando funciona.”
Gregory empurrou a porta.
E pela primeira vez…
A sala não parecia uma sala.
Parecia um labirinto.
Um espaço imenso se estendia diante deles, muito maior do que qualquer julgamento anterior. As paredes eram pálidas, quase idênticas às salas anteriores — mas desta vez, se estendiam infinitamente, dividindo-se em múltiplos caminhos.
Diretamente à frente:
Um corredor.
No final dele—
Duas portas.
Esquerda.
Direita.
Sem símbolos.
Sem pistas.
Apenas uma inscrição simples acima de ambas:
“Escolha.”
“Só isso?” disse Wes. “Essa é a sala?”
Chris deu um passo à frente lentamente.
“Não… não é tão simples.”
Atrás do primeiro conjunto de portas… mais corredores eram visíveis.
E no final de cada um?
Outro par de portas.
Sete vezes.
Sete escolhas.
“Uma corrente”, murmurou Joseph. “Sete decisões.”
“Sete chances de morrer”, corrigiu Gregory.
Paul deu um passo à frente.
“Bem… acho que vou primeiro.”
Alex imediatamente segurou seu braço.
“Espere. Ainda não sabemos as regras.”
Paul se afastou delicadamente.
“Essa é a ideia, não é?”
Chris olhou para ele, agora sério.
“Paul… isso não é como os outros. Não há nenhum sistema que possamos decifrar ainda.”
Paul sorriu novamente, mas desta vez, havia algo teimoso por trás do sorriso.
“Vocês têm resolvido tudo até agora. Deixem-me tentar algo do meu jeito.”
Ford zombou.
“Isso promete ser divertido.”
Paul caminhou até o primeiro conjunto de portas.
Esquerda.
Direita.
Ele olhou para ambas… e então riu baixinho.
“A vida toda”, disse ele, “sempre que tive que escolher, simplesmente escolhi uma e segui em frente. Não importava qual.”
Ele colocou a mão na porta da esquerda.
“Vamos ver se a sorte ainda está do meu lado.”
Ele a abriu e entrou.
A porta se fechou atrás dele.
Silêncio.
Então—
Um som distante.
Não imediatamente.
Não dramático.
Apenas…
Um estalo abafado e ecoante.
Seguido de nada.
Alex cobriu a boca com a mão.
“…Não.”
Wes recuou um pouco.
“O que?… Foi só isso?”
Gregory encarou a porta, com uma expressão fria.
“Um erro.”
Chris não se moveu.
Seus olhos estavam fixos na porta.
“O Tolo…” ele sussurrou.
Joseph olhou para ele.
“O que isso significa?”
Chris engoliu em seco.
“Não se trata apenas de começos.”
Ele olhou para os outros.
“Trata-se de fé cega.”
Ford cruzou os braços.
“Então a lição é o quê? Não escolher?”
“Não”, disse Chris.
“A lição é… escolher sem pensar… ainda é uma escolha.”
A porta à frente deles destrancou lentamente com um clique pesado.
O caminho continuava.
Mais seis conjuntos de portas.
Ninguém se mexeu.
Alex falou baixinho.
“…Não podemos fazer isso aleatoriamente.”
“Não”, disse Chris.
“Desta vez… temos que pensar.”
Gregory deu um passo à frente.
“Então começamos a tratar isso como o que é.”
Ele observou cada porta com atenção.
"Um padrão. Um sistema. Sempre há um sistema."
Atrás deles, despercebido—
Ford observava o corredor.
Sem medo.
Sem estar abalado.
Apenas… pensando.
E bem à frente, além das portas restantes…
Algo no silêncio parecia diferente agora.
Como se a própria sala tivesse tomado sua primeira decisão.
O corredor se estendia à frente deles.
Mais seis escolhas.
Mais seis chances de errar.
Ninguém se ofereceu desta vez.
"Certo", disse Gregory, dando um passo à frente. "Vamos fazer diferente agora."
Ele se agachou perto das portas, inspecionando dobradiças, chão, batente.
"Placas de pressão. Diferenças de pressão. Qualquer coisa."
"Encontrou alguma coisa?", perguntou Wes.
Gregory balançou a cabeça negativamente.
"Nada óbvio."
Bulldog riu lá de trás.
"Todo esse pensamento... e ainda nada."
Gregory nem se virou.
“Então vá em frente. Mostre-nos como se faz.”
Bulldog deu um sorriso irônico, mas não se moveu.
Chris deu um passo à frente.
“Não temos pressa. Não chutamos.”
Ford assentiu levemente.
“Finalmente algo sensato.”
Alex permaneceu perto de Chris.
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Segunda Escolha
Duas portas.
Idênticas.
Silenciosas.
Chris as encarou por mais tempo que os outros.
Algo naquele espaço… naquela quietude…
Parecia familiar.
Não a sala.
A sensação.
Uma lembrança tentando emergir…
Uma porta.
Uma escolha.
Um momento em que algo deu errado.
“Chris?” Alex sussurrou.
Ele piscou.
“…Porta da direita.”
Todos olharam para ele. Ford ergueu uma sobrancelha.
"E isso se baseia em...?"
Chris hesitou.
"Não sei. Só... não escolha aleatoriamente."
Gregory o observou por um segundo... e assentiu.
"Bom o suficiente."
Ele abriu a porta da direita.
Todos ficaram tensos—
Nada.
O corredor continuava.
Um suspiro coletivo escapou.
"Certo..." disse Wes. "Funcionou."
Lá do fundo—
"Palpite certeiro", murmurou Bulldog.
Chris não respondeu.
Mas sua expressão havia mudado.
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Terceira Escolha
O ar parecia mais pesado agora.
Como se a sala estivesse observando.
Desta vez, Ford deu um passo à frente.
“Vamos usar a lógica.”
Ele apontou.
“As pessoas tendem a complicar demais os padrões. Então, vamos assumir a simplicidade.”
Gregory cruzou os braços.
“Continue.”
“Se a primeira porta correta não foi aleatória… então talvez ela se alterne.”
Esquerda.
Direita.
Esquerda.
“E agora?” perguntou Wes.
Ford deu um sorriso irônico.
“Esquerda.”
Ele abriu a porta.
Silêncio.
O corredor continuava.
Wes deu uma risada nervosa.
“Ok… ok, são duas.”
Bulldog bufou.
“Ou dois palpites de sorte.”
Ford se virou um pouco.
“Sinta-se à vontade para contribuir a qualquer momento.”
Bulldog apenas sorriu.
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Quarta Escolha
Agora a tensão era real.
Duas escolhas certas não significavam nada.
Um erro — e tudo acabaria.
Dessa vez, Alex deu um passo à frente.
Sua voz estava mais baixa.
“Estamos partindo do princípio de que existe um padrão.”
Chris olhou para ela.
“Você acha que não?”
“Eu acho…” ela hesitou, “…que esta sala é sobre O Tolo.”
Todos ouviram agora.
“Isso significa… talvez não haja padrão nenhum.”
Silêncio.
Wes engoliu em seco.
“…Isso é pior.”
Gregory expirou lentamente.
“E aí? Congelamos?”
Chris fechou os olhos por um segundo.
Aquela sensação de novo.
Aquela lembrança ressurgindo —
Uma voz.
Um grito.
Uma porta.
Seus olhos se abriram de repente.
“…Direita.”
Ford franziu a testa.
“Você está chutando de novo.”
Chris balançou a cabeça.
“Não… eu só… não consigo explicar.”
Gregory deu um passo à frente.
Ele não hesitou.
Abriu a porta certa.
Uma pausa—
Então—
O corredor continuava.
Três portas em fila.
Agora até Ford parecia inquieto.
Atrás deles, o sorriso de Bulldog se desfez — apenas um pouco.
---
Quinta Escolha
“Certo…” disse Wes, com a voz trêmula. “Isso não é normal.”
“Não”, concordou Joseph. “Não é.”
Ford se aproximou de Chris.
“De onde você tirou isso?”
Chris esfregou a têmpora.
“Não sei… parece que já… estive aqui antes.”
Os olhos de Bulldog se estreitaram.
Só por um segundo.
Alex percebeu.
“Chris…” disse ela com cautela. “Do que você se lembra?”
Chris olhou para ela—
“…Uma porta.”
Silêncio.
“Uma porta… e alguém gritando.”
Bulldog desviou o olhar.
Gregory percebeu.
Mas não disse nada.
Chris respirou fundo.
“…Esquerda.”
Sem discussão desta vez.
Gregory abriu a porta.
O corredor continuava.
Wes riu de verdade desta vez.
“Ok—ok, isso está funcionando!”
Ford não sorriu.
“Isso não é lógica.”
“Não”, disse Joseph baixinho.
“É outra coisa.”
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Sexta Escolha
A pressão era insuportável agora.
Eles estavam perto.
Perto demais.
A escuridão além do último corredor parecia diferente.
Mais pesada.
Espera.
“É a ultima”, disse Gregory.
Chris deu um passo à frente lentamente.
Aquela sensação era mais forte agora.
Fragmentos.
Uma máscara.
Uma luta.
Uma voz implorando—
Sua mão tremeu.
“…Direita.”
Ford agarrou seu braço.
“Espere.”
Todos congelaram.
Ford olhou para ele atentamente.
“Você não está adivinhando.”
Chris não respondeu.
Ford se inclinou um pouco para frente.
“O que aconteceu com você?”
Silêncio
Então—
Bulldog da um passo à frente.
“Chega disso.”
Ele passa por todos—
e bate com a mão na porta da esquerda.
“Bulldog, ESPERE—” Alex gritou—
A porta se abriu.
Uma pausa—
Então—
Um estalo distante e violento ecoou pelo corredor.
Seguido por algo mais pesado desta vez.
Molhado.
Final.
Silêncio.
Ninguém se mexeu.
Bulldog se vira lentamente.
Sorrindo.
“…Acho que escolhi a porta errada.”
Chris o encara.
Não com medo.
Não com raiva.
Algo mais.
Reconhecimento.
Só por um segundo.
Então, desaparece.
A porta da direita destranca com um clique alto.
Ninguém diz nada.
Um por um—
Eles entram.
A última porta se fechou atrás deles com um baque pesado e ecoante.
A sala além era pequena.
Pequena demais.
Depois de tudo o que tinham acabado de atravessar… parecia errado.
Vazio.
Branco.
Silencioso.
Wes encostou-se na parede, respirando pesadamente.
“…Só isso?”
Ninguém respondeu.
Gregory ficou parado, braços cruzados, os olhos percorrendo o grupo.
Contando.
Avaliando.
“Dois se foram”, disse ele secamente.
“Paul… e quem quer que fosse aquele.”
As palavras pairaram no ar.
Nem mesmo um nome para o segundo.
Apenas—
alguém.
Alex olhou para baixo.
Suas mãos tremiam.
“…Ele nem hesitou.”
Ninguém precisou perguntar a quem ela se referia.
Chris encarava a porta pela qual tinham acabado de passar.
Não com medo.
Nem mesmo com raiva.
Mas como se tentasse enxergar através dela.
“…Eu me lembro de algo”, disse ele baixinho.
Isso fez com que todos olhassem para ele.
Até mesmo Ford.
Chris não se mexeu.
“Havia uma porta.”
Sua voz soava distante.
“Não aqui… antes disso.”
Bulldog se mexeu levemente.
O suficiente.
“Havia gritos… alguém implorando…”
Chris pressionou os dedos contra a têmpora.
“…e outra pessoa… observando.”
Silêncio.
Alex se aproximou.
“Chris…?”
Ele piscou. O momento passou.
“…Já passou”, murmurou ele.
Ford o observou atentamente.
Não com escárnio desta vez.
Com interesse.
“Isso não é aleatório”, disse Ford.
“É memória.”
Chris não respondeu.
Do canto—
Uma salva de palmas lenta.
Bulldog.
“Bem, isso foi divertido”, disse ele.
“Entrar, abrir portas, pessoas morrem. Simples.”
A cabeça de Gregory inclinou-se ligeiramente.
“Você acha que isso é uma brincadeira?”
Bulldog deu um sorriso irônico.
“Acho que pessoas morrem todos os dias. Isso é só… mais organizado.”
Isso foi a gota d'água.
Alex deu um passo à frente. “Você abriu aquela porta.”
A voz dela tremia, mas não falhou.
“Você não se importou.”
Bulldog olhou para ela.
E sorriu.
“Se importar com o quê?”
Chris se moveu.
Apenas um passo.
Mas foi o suficiente.
Algo mudou no ar.
“Você não se lembra, não é?” Bulldog disse casualmente.
Chris congelou.
Uma pausa.
“…Lembrar do quê?” Chris perguntou.
O sorriso de Bulldog se alargou —
E desapareceu tão rápido quanto surgiu.
“Nada.”
Gregory estava observando agora.
Atentamente.
Ford também.
Mas ninguém insistiu.
Ainda não.
Um estalo metálico e alto ecoou pela sala.
A próxima porta destrancou.
Todos se viraram.
Acima dela, o próximo nome se revelou:
“A Torre"
Desta vez, ninguém se apressou.
Wes engoliu em seco.
“…E agora?”
Chris olhou para a porta.
Depois para o grupo.
Depois… para Bulldog.
“…Agora”, disse ele baixinho,
“as coisas desmoronam.”
Bulldog deu uma risadinha.
Mas, pela primeira vez—
Ninguém mais riu.
E enquanto caminhavam em direção à próxima sala…
Ficou claro.
Eles não tinham apenas sobrevivido ao Louco.
Eles haviam perdido:
sua certeza
sua confiança
e qualquer ilusão de que isso pudesse ser controlado
Daqui em diante—
Não haveria mais adivinhação.
Apenas consequências.
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